Monday, October 28, 2013

What are the signs of what?
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Quando a realidade de uma coisa se confunde inteiramente com a sua representação, fica muito difícil falar, a sério, exatamente, de verdade e mentira. Caetano Veloso estaciona carro no leblon não é, a princípio, falso, e só é ligeiramente mais ridículo, no fundo, do que qualquer outra notícia envolvendo celebridades (por escancarar o absurdo da estrutura de pseudoevento em si). A linguagem de manchete (assim como, digamos, a continuidade narrativa da novela e do brasileirão) produz realidade em massa, e menos atenção devia se prestar ao suposto conteúdo ideológico de um programa televisivo em comparação com o mero fato bruto estrutural dele ser todo sanduichado por vídeos bem produzidos de produtos e corpos a serem acoplados a uma auto-performance individual de consumidor (o que faz com que os programas em si sejam compreendidos da quase exata mesma forma, como corpos a serem desejados e esquadros cênicos a serem potencialmente consumidos, os dramas morais, assuntos polêmicos e peripécias dramáticas se desenrolando em cima como que no mudo, quase abstratos). Mitos são histórias que movem corpos e maquinário ao ficarem quietas nas suas estruturas de enunciação, metáforas visuais que viram assertivas de identidade, deuses que morrem todo dia, à tardinha. Isto é espaço público, isto é um vândalo. Esta é uma modulação social de corpo passível de violência estatal arbitrária, esta não. Realidades midiáticas cumprem a si mesmas (realizam a si mesmas). Distorted reality now a necessity to be freeUm império é um império é um império. A gente se vê por aqui.