Sunday, September 16, 2012

Lists, catalogues and other forms of enumeration can also perform a kind of phatic expression in which the midiatic channel is somewhat tested for other instances of representation
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a/c rafaello trindade

Aos beócios Peneleus e Leitos chefiavam,
e Arquesilaus, Protoenor e Clonios.
Eles habitavam Hiría, a pedregosa Aulís,
Scoinos, Scôlos e a montanhosa Eteonôs
Têspeia, Graia e a extensa Mikalessôs,
habitavam os arredores de Harma, Eilêsion e Erithrái,
possuíam Eleon, Hile e Peteon,
Okalee e Medeon, fortaleza bem construída,
Copai, Êutresis e Tisbe, cheia de pombas,
Coronéia e a verdejante Halíartos,
possuíam Plátaia e habitavam Glisás,
possuíam Hipotebas, fortaleza bem construída,
a sagrada Onquestôs, do esplêndido bosque de Poseidon,
possuíam Arne de muitos vinhedos, Mideia,
Nisa, a santificada, e a distante Anthedon.
Com eles iam cinqüenta naus, e em cada uma delas
cento e vinte jovens beócios haviam embarcado.


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Se liga aí jardim evana, parque do engenho, gerivá, jardim
rosana, pirajusara, santa tereza.
Vaz de lima, parque santo antônio, capelinha, joão morá, vila
calu, branca flor, paranapanema, iaracati.
Novo oriente, parque arariba, jardim ingá, parque ipê.
Pessoal da sabin, jardim marcelo, cidade ademar, jardim são
carlos, jardim primavera, santa amélia, jardim santa terezinha,
jardim míriam, vila santa catarina.
Aí vietinã, cocáia, cipó, colônia, campanário de adema, calúpso
e são bernardo.
Vila industrial santo andré, bairro das pimentas, brasilândia,
jardim japão, jardim ebron, coabi 1, coabi 2, são matheus, itai,
cidade tiradentes, barueri, coabi de tapas.
Mangueira, boréus, cidade de deus. E aí DF, expansão, P norte, P
sul.
E aí pessoal do sul, restinga.
E aí quebradas, zona noroeste santos, rádio favela, bh.
E pra todos os aliados espalhados pelas favelas do brasil
Firma!

Thursday, September 06, 2012

As formidáveis aventuras de Marcelinho pelo reino da memória!
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A coisa mais original e poderosa da Recherche não é exatamente a profunda subjetividade e interioridade da memória do Proust. Isto aí já estava, ainda que em outros termos,  ainda que em outro estilo, disponível no Montaigne e no Rousseau (ou até no Santo Agostinho). 

Proust não inventou a possibilidade de se auto-constituir num texto, e como texto (como livro!), e nem a possibilidade de usar a própria memória pra fazer isso.  Essa coisa que o Barthes  tenta assumir pra voz crítica e que parece entranhada na literatura francesa mais forte até que o ethos romântico pra inglesa.

 O troço realmente engata na Recherche (a ponto de assustar) no final, no último volume, no momento de revelação na antesala da madame Algumacoisa onde todo o edifício romanesco omnitemporal da memória  se encaixa numa máquina estética cuja pretensão é nada mais nada menos do que a reversão do tempo, a redenção de toda contingência morta da vida do narrador a partir da equivalência trazida pela memória acidental.

A vida do Marcel toda repetida num encaixe hermenêutico e metafórico que, de uma só vez, explica, justifica e redime tudo aquilo que a gente leu. Aquilo que até então era basicamente um esteticismo espertalhão vira outra coisa inteiramente. 

É uma cena de reconhecimento, claro, a anagnorisis de sempre levada à sua mais extraordinária concentração formal e subjetiva. Eu não conheço nenhum momento isolado mais forte do que aquele em toda a literatura, em pura densidade metafórica e formal. Depois dele se instalar, absolutamente qualquer dimensão interpretativa parece possível. Não estamos mais brincando de modernismo, de França, de subjetividade. Até a anagogia dá as caras. Como o Frye fala do Stevens: chega a parecer religião.