Sunday, July 03, 2011

EXTRAORDINARY MISUSES OF MILITARY TECHNOLOGY
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Outro dia vi um comercial de um site que faz um COMPÊNDIO de sites de compra coletiva (como peixe urbano, groupon, etc). O comercial parecia absolutamente deslumbrado com toda a situação. Consigo mesmo, com compras coletivas, com o site que as compila, com a engenhosidade empreendedora por trás e com o comercial que o divulga, com a linda e perfeita cultura que torna tudo isso possível. E o mais estranho era que o entusiasmo parecia ser genuíno, ou pelo menos verossimilhante.

Há uma autoconsciência absurda em tornos dessas redes sociais, todas elas redobradas, comentadas a todo passo como movimentos formidáveis da sociedade, do Espírito (ou como derrocadas do Humanismo, X está nos deixando mais burro?). Não só a besteira tão repetida (ainda que verdadeira) de que não mais se dissocia a experiência de sua veiculação pública, e tudo mais, ou de sua estetização plastificada e instantaneamente nostálgica (foursquare e insta.gram, respectivamente). Não só isso, mas que neguinho realmente parece experimentar, viver o mero fato destacado dessas redesderelação, de que elas existem.

O povo parece tão impressionado e enlevado com as estruturas de conexão quanto com as conexões que elas possibilitam, digamos. E por estruturas de conexão lá vou metendo os produtos da apple no meio, na minha vaguidão que-tudo-compreende. Uma menina com quem estudo ficou uns vinte minutos me contando das sutis diferenças no sistema operacional atualizado do iPhone, e me parecia muito claro que pra ela todas as renovadas condições de interface eram apreciadas como um fato estético, pelo todo orgânico ainda mais elegante de interação, muito mais do que pela conveniência que cada pequena diferença possibilitava (que me parecia desprezível). E eu faço esse gesto vago de incluir iPad e redessociais no mesmo balde porque eles são experimentados como uma coisa só, mesmo, uma mesma nuvem de quase-trascendência das circunstâncias chatas que compõem a nossa vida, quase da contingência do plano material, digamos.

Ficam lá tatuando maçãzinhas da apple e ministrando seminários sobre novas redes sociais uns pros outros, repetindo que informação não é conteúdo, que hoje a gente tem nossadeus tanta informação mas de que serve? E isto não como um gesto genuflexo de confessar que ninguém entende porra nenhuma do que se passa, e sim pra dizer que olha, dominando o megazord das tecnologias da informação tão formidáveis e gentis, sabendo ler esses gráficos desenhados de maneira tão inteligente e informativa, organizando as melhores ferramentas disponíveis para gerenciar os seus escassos recursos pessoais, cada um de nós pode se tornar o Steve Jobs de nós mesmos, organizadores dos aplicativos da área de trabalho do mundo, tornando toda matéria sensível do cosmos em interface agenciável e colorida, realidade aumentada.