Wednesday, January 12, 2011

Como hacer cosas con palabras
-
Com o hábito a nossa recepção dos lugares e das circunstâncias parece que enfraquece, vai sumindo. Um enfraquecimento até COGNITIVO (segundo algum estudo vago que li sem óculos de canto de olho no jornal, anos atrás), a gente mal tem o trabalho de processar circunstâncias e lugares e já aprendidos, só atentamos pra alguns gatilhos familiares. E, com isso, eles quase deixam de existir, res extensa da nossa cabeça, fundo de tela para interfaces simplérrimas.

E daí tédio, né.

Cursando há quatro anos um curso que passo bem perto de odiar, as aulas e as instalações e seus arredores já quase inexistem. Janelas minimizadas, umas figuras distantes acenando e gritando surdamente, gente rindo do nada, algumas palavras-chave anotadas quase aleatoriamente num caderno cheio de desenhos feios e engraçados. Numa aula de Direito do Trabalho, eu leio Lorrie Moore. A mulher progressivamente doidinha finalmente surta, enfia uma faca no marido. Minhas pernas se crispam, eu todo tenso, e por um segundo eu literalmente não entendo aquele negócio ali em volta, aquela gente falando sobre FGTS como se nada daquilo estivesse acontecendo, como se não tivesse uma faca enfiada no cara, coitado. Ora.