Friday, August 20, 2010

The Spoils of Poynton
-
Eu gosto de tentar dar conta dos motivos que me fazem gostar demais de alguma coisa. Não é traçar explicações, resenhas, slides de powerpoint encaixados, mas minimamente delimitar na minha cabeça o que há de especial em algo que me toca pra caramba, perceber quais os pontos expressivos distintos que saltam e se repetem.

É legal, como se você inventasse toda uma topografia da sua sensibilidade. Um território de indexações que você possa percorrer.

E inevitavelmente (porque eu gosto de fingir que as coisas fazem sentido) vão acontecendo umas conexões. Daí que Henry James tardio e Cézanne passam a ser parecidos, assim como Noah Baumbach e Ann Beattie. Modest Mouse de início-de-carreira vira a melhor banda que Brasília já teve. Um tipo de quadro do Matisse, o Silêncio, Gerry, os interiores do De Hooch. O mundo do Super Mario World junto de todo tipo de cosmogonia e cartografia ingênua.

Os reconhecimentos movediços vão acontecendo, ainda que forçados pela reunião amontoada, pela mera presença associada nas gavetas da minha cabeça. Como um gabinete de curiosidades das coisas bonitas que existem.