Tuesday, January 20, 2009

Pra quem é relativamente tranks na maior parte dos frontes, tipo metafisicamente tranks, como eu sou, ver Persona é legal não só como filme, como obra de arte, como EXPRESSIVIDADE HUMANA, mas pra efetivamente se sentir como gente complicada sente. Funciona mesmo, quase como algum tipo de droga, amortece partes da sua cabeça e massageia outras e te deixa num estado alterado por um tempo indeterminado. Ainda mais se você assistir sozinho, de madrugada, com os trabalhos todos facilitados. Tudo fica bem sério, repassado de gravidade. Você vai lavar a mão, lá, de boa, e de reptente sua mão é A MÃO DA FALSIDADE E DO DESESPERO. Você vai jogar Mario e ele é tipo O MARIO DA FALSIDADE E DO DESESPERO. Você espirra e é O ESPIRRO DA DESESPERANÇA. E etc e etc.
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É interessante que boa parte da nossa linguagem assim mais sujinha seja tão antiga, não é? Mijar, cagar, caralho, tudo já tá lá no Gil Vicente. É justamente onde se imaginaria que as expressões deviam se variar mais, tipo de década pra década. Deve ter um motivo legal que eu não consigo imaginar.
(e, aliás, se eu trabalhasse nos meios aí de massa, faria semi esforcinho pra difundir xingamentos do Gil Vicente na linguagem corrente. Corinthianos na rua se xingando de Furta-Cebolas)

Tuesday, January 13, 2009

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Oi bom dia.
Fico triste de não postar nada, uma url me traz sentimento de responsabilidade, não consigo evitar compreender isso aqui como um lugar que se fica fisicamente abandonado, com poeiras e teias de aranha, coisas se gastando. Há uma equivalência engraçada que a nossa imaginação tenta forçar, ao entrar pela décima vez e ver o último post irritante lá ainda. Falta-nos todo um vocabulário para falar das internets, né? Um vocabulário assim no sentido mais largo possível. Deviam botar gente a postos para criar um, de preferência portugueses. Do jeito que tá, as coisas vão se definindo por multidões de fórum e crianças de quatorze anos. O que pode ter o seu charme, né. Toda essa atualidade na qual a gente não consegue se movimentar direito, ainda incompreende e fica confuso, com tipo porções do cébro se chocando. O que, nos meus olhos, é bom.
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Age of Empires 2 é tão bonito, é tão correto. Eles achavam que tavam fazendo um joguinho, mas estavam na verdade realizando um ideal necessário e prefigurado, que agora não envelhece e não se compreende, não se consegue compreender, como contigencial e humano. Acheiropoeita, tal.
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Também muito bonito é aquele livro Gilead, que eu só fui descobrir agora que existe. No brasil não se dá bola praquela moça, mas se deveria. Recomendo pra toda família.