Monday, November 24, 2008


Harness the power cosmic, Urizen!
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Mas o que eu queria assim mesmo era que o William Blake tivesse nascido no século vinte e tivesse sido o Jack Kirby. De algum jeito.

Friday, November 14, 2008

Mal de montano-
A tradição latinamericana toma grande graça da narrativa subjetivista, como se sabe, de narradores pouco confiáveis ou absolutamente doidinhos, de fragmentação pra todos os lados e, infelizmente, às vezes até de depuração estilística à francesa. O que eu não sabia é que a brincadeira continuava dando corda depois de tantas águas passadas, com Noturno do Chile, por exemplo, ou, caso em ponto, Mal de Montano (Villa-Matas é espanhol, mas escreve como se fosse argentino, o que houve com As Grandes Tradições, né?).
*música tema de resenha literária começa, eu viro pra segunda câmera*
Me impressiona que ainda se veja tanta graça em uma forma que me parece tão, tão retoricamente cansada, mas fazer o quê. O Villa-Matas se desprende aqui da carga potencialmente existencialista desse tipo de relato pra brincar de Borges e intertextualidade, e brincar bem mal. Borges, Kafka são incontestáveis, mas eles são, à sua maneira, escritores fáceis, e muito facilmente usados pro mal. O Mal de Montano brinca consigo mesmo e com o fato dele ser ou não um romance, brinca com o literário toda hora, nada é o que parece (como as orelhas de livro gostam de dizer). Não, e nada se consegue, tampouco.
O livro é formalmente e estilisticamente nulo, geralmente permanecendo rente ao chão, e constrangendo quando tenta se levantar um pouco mais. Camus não tenta, o que é irritante, mas, sei lá, válido. Villa-Matas tenta de vez em quando, o que leva a gente a imaginar que a depuração dele é falta de talento, mesmo. O principal por trás do livro seria a carga intertextual, o literário como assunto, mas Borges e Kafka fazem isso imitando com muita habilidade os efeitos e os movimentos da própria literatura, são gênios formais de manipular convenções. Villa-Matas não chega nem a imitar os efeitos da literatura, ele apenas tenta imitar o literário, o cheirinho que fica em volta, o ar pesado. Ele usa intertextualidade de um jeito banal e pesado, imita o tipo de coisa que um bom escritor evita trazer à tona, mantém dentro da casa de máquinas, usando o elevador de serviço. É uma afetação kitsch dos diabos. E ainda confusa, que desconfia e faz pouco das premissas de ficção realista sem perceber que o livro tenta usar delas mesmo assim, ainda depende delas, sem conseguir estabelecer seus próprios termos.



UMA EXPLICAÇÃO:
Mesmo coisas extremamente bem-sucedidas costumam falhar em algum de seus níveis, costumam ainda ser ridicularizáveis por algum ângulo. Perfeição só se consegue escolhendo um cantinho bem específico (e limitado, portanto) do plano atual e possível e concentrando nele, acumulando, fazendo força.
EXEMPLOS:
Quindim, buldogues, Elliott Smith, Giorgio morandi.

POR ÚLTIMO, UMA ENTREVISTA COMIGO SOBRE GÊNERO
Q-
A-Gênero, na verdade, é a maior confusão.
Q-
A-Nossa, muito.