Wednesday, October 22, 2008

Such awkwardness at the heart, such awkwardness at the heart of being
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Friday, October 17, 2008

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Depois de encarar a terceira ou quarta tradução das Elegias de Duíno, a coisa toda ganha uma cara maior e mais grave, engraçada. Por melhor que elas sejam, você sabe que tá sempre encarando o negócio através de um espelho enviesado, tá sempre tentando alcançar algo esguio e safadão, que escapa (Insira aqui alguma versão da coisa toda de Mas O Que É A Tradução Afinal). Isso não teria tanta graça pra tons mais sossegados (livro de horas, por exemplo), mas as Elegias colaboram tremendamente com essa impressão, sendo aquela coisa tão tremenda e olhem-para-mim-eu-converso-com-anjo, tão oracular, tão (vou falar merda) freestyle auto-importante do Heráclito ou do Heidegger. E não acontece o reflexo que eu tenho às vezes com essas coisas tão graves, de olhar pras palavras individuais e nunca perfeitas até que elas quebrem sobre a pressão, até que uma aliteração desajeitada transpareça o rapazote afetadinho por trás, o rapaz em quem Tolstói aplicaria safanão na nuca. Aqui não há nada de individual e pequeno, você tá vendo o reflexo de algo, sempre, então as insuficiências são relevadas, e a impressão de algo terrível espreitando por trás fica quase intacta. É bem bonito.