Thursday, September 25, 2008

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Eu ando de fazer uns posts pretensiosos, nossa senhora. Se vocês soubessem o que se salva em rascunho, ainda por cima. Tava querendo falar tipo SERIAMENTE sobre o DFW, também, tentar explicar porque que acho mesmo que ninguém da geração dele chegue perto dele, que provavelmente vá sentar de algum jeito no cânone, e tudo, sentar firme nos erros tortos e bonitinhos dele, tal. Mas já vi tanta gente mais esperta do que errar feio, desanima. Se alguém quiser saber, é só me embebedar, tamos aí.
Tomem a lista de leitura do Barthelme, olha que esquisitinha e legal. Eu já segui algumas recomendações dela e tenho meus polegares erguidos aqui, e um olho piscado. Beattie, Carver, Paley, Gass, O'Connor, Booth. Não é compreensiva, mas nem tenta ser direito.
A vantagem desses tempos engraçadinhos é que qualquer um que goste pode muito mais facilmente se abrigar debaixo dessa longa asa projetada da única tradição restante em ficção, muito mais facilmente ir atrás das coisas. Estudo de ficção contemporânea devia ser COMO LER OS AMERICANOS, seguido de COMO IMITA-LOS.

Sunday, September 14, 2008

good old neon
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A última peça de ficção dele que me faltava pra ler eu comecei a ler nessa sexta-feira de tarde. A novela do final da primeira coletânea de histórias, Westward etc, a que fica brincando com Lost in the Funhouse o tempo todo. E diante de alguma daquelas luzinhas que ele acendia a cada cinco minutos ni mim (coisas geralmente pequenas, até, às vezes apenas descrição bem feita,) eu senti uma gratidão genuína e, sei lá, quentinha. Dele existir, dele estar lá como parte real e verificável dos fatos que compõem o mundo. Eu sei que parece forçado, mas foi basicamente isso. E isso provavelmente aconteceu algumas horas antes dele se matar, a última oportunidade que eu teria de sentir isso.

E agora tenho que terminar a história com algo bem diferente revolvendo no estômago.

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Já estão postas em ação todas as carpideiras de blog, e artigos honestos aí de gente sentida, e resumos críticos, e a lista de emails sobre se enche de relatos emocionados.

Eu li todos que consegui achar e vou continuar lendo a noite toda, e não é - como costuma ser o caso- porque me interesso de ver como as pessoas reagem a morte de um escritor, como a crítica se posicona e como uma cultura se acomoda depois de um choque.

Eu estou lendo porque eu estou muito triste e quero me conectar com gente que também está muito triste. Triste pela tristeza e a solidão desse cara, que eu nem começo a conseguir imaginar. Eu estou fisicamente triste - meu corpo está pesado. E não vou falar criticamente sobre o que ele escreveu. Este post é sobre mim. Vocês podem falar aí, e até acho bacana, mas pra mim seria indecente, seria como ir no enterro de um amigo e comentar depois que "ah, mas ele falava meio alto quando ficava bêbado, né?".

Emotícones de tristeza estão me parecendo vergonhosos, e trocadilhos, e também isso aqui.