Tuesday, August 26, 2008

The Varieties of Religious Experience

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Mais ou menos como a arbitrariedade do sinal em linguagem não impede que se estabeleçam proposições verdadeiras, a artificialidade das convenções artísticas não impede que verdades se articulem ali (ainda que verdades de outro tipo). Depende de mind sets, depende fortemente de hábito e tradição, mas o que se estabelece em objetos e relações tão impuras pode, sim, ser puro e incontornável.

Tudo que se passa por aqui *gesticula amplamente * se passa com naturalidade, tudo tem e precisa ter a cara natural e descompromissada de um acidente, a cara pequena; com suas explicações por trás, seus fios.
É uma tensão esquisita e perturbadora, mas isso não estraga nada não, isso não atinge nada.

Thursday, August 21, 2008

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Daonde que vem essa galera da Bravo, da Folha? Eles gostam de literatura, mesmo? Ele estão tentando de verdade?

É particularmente doloroso vê-los entrevistar alguém. Mantendo-se no mundinho fechado e retardado deles, onde nenhuma luz entra ou pode entrar, pode até parecer que eles têm alguma idéia do que tá acontecendo. Mas aí de vez em quando acontece de baterem de frente com os próprios autores, e daí é só vergonha e dores e lágrimas.

Isso porque saiu na folha anteontem entrevista com o Philip Roth.
Logo de cara se afirma e se repete que em 2009 sai no Brasil Shop Talk!, seu mais novo romance! (um livro de 2001 que até eu, que não gosto do Roth, sei que se trata de ensaios e entrevistas sobre literatura). Na primeira frase da entrevista a menina fala que o Roth trata da hipocrisia da classe média. Ele responde que não se preocupa com hipocrisia e que não pensa em termos de classe. E ela insiste que, ué, ele trata da classe média. Ele nega mais uma vez. Daí frase do caetano e bobagens políticas americanas que não tem muito a ver com o Roth. No miolo da página, uma ANÁLISE de outro imbecil tem o título: Escritor tem classe média como alvo.

êêêêêê!

Fala-se que ele fez uma ruptura marcante com Bellow e Singer ao tratar das contradições da classe média abertamente. Eu queria ver a cara do bróder ao escrever isso, a expressão de rapto e insight crítico por trás dos óculos quadrados dele. Eu aposto sete reais que conseguiria representá-la com alguma acurácia.
Isso é o máximo que se consegue. Detectar ironia onde não tem, preocupação política tacanha onde não tem (ou onde não é relevante), algumas referências óbvias incompreendidas. Contradições hipócritas e hipocrisias contraditórias! Nada se arrisca sobre o estilo.

Neguinho tá num freestyle absoluto e ininterrupto e inaceitável desde que me entendo por gente, assim, fazendo cara séria e fingindo que sabe do que tá falando. Toda reportagem e resenha literária brasileira que eu já li em revista e jornal. Sempre absurdamente vazio, malucamente vazio. Palavras chave bestas se interligando licenciosamente, perversamente.

Todo mundo sabe disso, eu sei, todo mundo tá cansado de saber. Mas às vezes ainda me surpreende, ainda me arregalam os olhos. Deixa eu. Blog é pressas coisas.

Sunday, August 10, 2008

Cultura ! ! ! ! ! ! !

Barth-

Borges é grande literatura sem o esforço, os efeitos e sentidos já descritos e expostos pra nós, os caminhos invertidos. Isso que o McLuhan diz que o Poe inventou (mais ou menos), e até um pouco como o kitsch que o Greenberg descreve. É uma imitação de literatura, opera em níveis que ninguém sabia que podiam ser operados tão bem até que o velhinho os acenasse. Como os seus Chesterton e Carlye, ele escreve ensaios quando vai escrever ficção (pena que só o Carlye fazia isso conscientemente*). Mas a originalidade dele é uma situação complicada. Ele achou uns loopholes e foi bastante eloqüente sobre o que encontrou, sim, mas difícil chamá-lo de gênio, eu acho. Ele tinha, sim, um tremendo bom gosto. Ele é um amigão, um bróder das literaturas. Calvino, sim, é um gênio. É um Borges mais consciente e mais esforçado. Ele não é necessariamente mais divertido (Borges é dos que mais traz gente pra literatura, foi dos que me trouxe), mas é operador mais habilidoso criativo e forte da confusão toda de ficção pósmoderna, antes, você sabe, que ela se pesasse com viadagens tantas.

E daí o Barth! Tudo isso pra falar dele. Barth é o que o mundo d’hoje (de cinqüenta anos atrás) faz de um Calvino menos talentoso. Tem uma imaginação falha e pouco bacana, pouco amigável (que eu gosto de imaginar que é culpa também do mundo, e não só dele mesmo). É uma versão bem inferior dos seus mestres ali de cima, talvez por ter feito o caminho inverso dos dois, um caminho artificial e pouco inocente. Calvino e Borges foram os últimos filhos de uma cultura que hoje já é impossível, que já era estrangeira a um americano quase contemporâneo aos dois. Quando Barth enche a boca de contos de fada e coisas do tipo ele está assumindo uma pose, e isso fica óbvio. Por isso não consegue dar vida de verdade à algumas de suas tentativas. Ele parece estar em pernas-de-pau boa parte do tempo.

(Coover fazendo a mesma coisa com cinema soa muito mais natural, por exemplo. Talvez fosse essa a direção que ele devia ter tomado)

Mas com Lost in the Funhouse ele achou um nicho que pudesse insistir, e a exaustãodeautosconsciência, por mais cansativa que seja, tem uns momentos bem honestos e diretos, com uma força meio difícil de não se reconhecer. Só é um pouco difícil acreditar que alguém poderia se importar de verdade com tudo aquilo. Além de escritores de ficção, né, além do cara do Bookworm.

*(zoei)

LitBrasCont!

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Sérgio Sant’anna é divertido, talvez melhor que Campos de Carvalho. Pena que o livro dele é caro. Só leio em pé entre estantes lá na cultura. João Paulo Cuenca (Cuenca!) e Santiago Nazarian (Santiago!) são incompetentes em todas as direções possíveis. Inofensivos e inócuos de tão, tão ruins.

Dicta & Contradicta é exatamente o que você espera dela, o que quer que isso seja. Tolentino pesa por cima de tudo (como a sua tag no site deles demonstra)


Como tanta coisa, esse blog é estritamente desnecessário. Vai se produzindo sem nada por trás, matéria morta. Como Brendan Fraser, como bonequinhos do Pica-Pau de beira de estrada. E no entanto.