Saturday, May 31, 2008

Fans bared and dripping gore

______________________________________________________________

They seem then, no matter how randomly he’s thrown the clips together, to be caught up in some terrible enchantment of continuity, as though meaning itself were pursuing them (and him! and him!), lunging and snorting at the edge of the frame, fans bared and dripping gore.

Monday, May 26, 2008

Murakami* e o Warhol vestem as calças do mundo tão bem que acabam virando informantes previsíveis e bestas do que acontece. Tudo faz sentido e é pequeno, é tão pequeno. É o Fernando Meirelles dirigindo Saramago, o mundo no automático, o mundo não tentando

(eles abraçam isso, dão piscadelas, mas não é esperto o bastante pra se safar)

Arte deveria nos reconciliar com o mundo, isso não deveria ter que ser explicado. Do jeito que é, essa arte pop-savvy é divertida e ruim para você, é pior do que a cultura de massa em si. Cultura de massa ao menos tem a vantagem de ser inexpressiva o bastante pra virar parte do mundo, tipo árvore, arco-íris, pedra. Arte ruim faz mal, faz mal pacas.

O mundo precisa de gente grande, precisa não achar que quirkiness realmente vai te redimir de alguma coisa.

*o da estátua do cara fazendo safadeza, não o que escreve coisas bacanas.

Disclaimer! isso é provavelmente o que todo mundo fala dessas coisas. eu não sei do que estou falando.

Saturday, May 24, 2008




No caso de alguém estar se perguntando
-
a melhor banda do mundo, zoando pixeladamente

Sunday, May 18, 2008

vijogueime!
(...) (uma parte séria que eu não posto)

Agora adiante, vijogueime. Gente que diz a sério que é uma narrativa potencialmente superior porque interativa não distingue o seu cu de um buraco no chão. Atiradores de primeira pessoa* (por exemplo) costumam funcionar com historinhas bem tradicionais, mas completamente incapazes de qualquer efetividade. Eu consigo me importar até com aquela aberração que é Starship Troopers, com novela, com o meu cobertor, mas não com pessoinhas de jogo. Isso é freqüentemente admitido de formas diferentes, como se faz com pornografia, ninguém tá nem aí.

O tipo de interatividade de videogame tende a reduzir qualquer significado que não colabore com a dinâmica principal da parada, com suas primeiras diretrizes, sempre imediatas. Lá dentro o que importa são as conseqüências plásticas das coisas, o potencial estético assim óbvio, apenas. Fora a necessidade eventual de imersão, de pesar a situação em alguma realidade que liguem botões não tão complicados de grandeza, a importância de uma caixa de madeira e uma garrafa está em como elas se estilhaçam ao serem fuziladas. O que é previsível. Entrando num meio razoavelmente opaco de significado, toda importância se reduz aos termos mais imediatos de satisfação que eles possam proporcionar. É meio que se aproximar das calças de uma pessoa moralmente e metafisicamente burra**. Andar um mundo onde as coisas até brilham de vez em quando, até explodem, mas finalmente não importam.

(Talvez eu fosse apenas uma criança esquisita, mas eu me lembro de uma pontadinha perturbadora ao sair andando por aí em Goldeneye por um pedaço do mapa já tornado irrelevante pelo progresso dos objetivos, correndo na neve contra uma parede invisível e tendo o tipo de crise que neguinho sempre teve aí pela vida, que francês do século vinte parece ter na vida real. Arte anda sendo feita em volta disso, provavelmente mal feita)

Daí que é muito legal, e muito divertido, mas um tendão aqui se puxa e se assusta, às vezes.

*levanto a voz*

Mas aí que o mundo do Mario (por exemplo) se reduz às suas estruturas essenciais, se alinha todo nas diretrizes de diversão do jogo, tudo é abertamente funcional e abertamente intrumentalizado, um cano verde é apenas aquilo que você vê, não há um travesti do mundo acontecendo ali. O Mario não está nunca morrendo e todo mundo sabe disso, ele mal existe. E Mario Galaxy chega o mais próximo possível de um jogo abstrato. Como em alguns modernistas da primeira geração, a existência de figuras reconhecíveis é uma formalidade, o que importa é a interação bonitinha de formas. Muito bonitinha.

Ou seja,

GTA é o teu cu. Sou um homem sério.

*me sinto tão chique evitando falar FPS. Tão, assim, português.

**a palavra é essa.

Saturday, May 17, 2008

-
Eu tava aqui pensando ouvindo música bonita e do nada imaginei uma manchete "Jô Soares Grávido". Olha o que fizeram com a minha imaginação. A culpa é parcialmente minha, ok, mas não toda. Tudo se assesta nisso, toda a criação se instrumentaliza para dar nisso. E eventualmente todos temos que lidar com o fato que o estado das coisas está caminhando para manchetes diárias do tipo "Jô Soares grávido". E todo mundo sorrindo feliz como se nada estivesse errado, e Jô Soares com brinquinho falando se for menina, Julieta, se for homem, Luiz Cláudio.
Tá, deixa eu voltar pra música bonita.

Wednesday, May 14, 2008

Coisas!
-
Poesia de graça na internet sempre é pesada de realidad's, né, tipo banners engraçados, comentários doidinhos, videokê. Leitura do Charles Wright tinha que ser em real audio. Tipo real audio.

Italiano é muito massa.

Isso. Martim Vasques, Ferlim Assami, Júlio Lemos, Tolentino piscadeleando e um bando de gente que não conheço. Por favor seja legal? Já deu de decepção já.

Isso e depois isso. E depois isso. Se ainda tiver saco, isso.

^_^

Isso.

Isso é divertido.

Por último, aos irresponsáveis que ainda não viram.

Tinha mais coisa, mas esqueci. Ok.

Friday, May 09, 2008

Museu

-

As estimativas mais tímidas diriam algo em torno de centenas de coisas. O que é um punhado. Aqui no momento pedaços de um painel egípcio, pequenos pedaços. A disposição na parede sugere que o que se tem aqui não é nem vinte por cento do original. Mas se forem os pedaços certos.

Esse touro (na sala seguinte) segurava alguma coisa no palácio de Dario. As mãos tão quebradas, não há nada em cima dele, mas os cotovelos sugerem a intenção de segurar alguma coisa. Ele parece ainda muito esforçado, mantendo aquela pose por dois mil e quinhentos anos, cansado. A posição do pescoço assim parece meio incômoda. Dario pessoalmente talvez tenha pensado coisa parecida, mas talvez não. Subimos (eu a japoneses que não conheço) uma escada larga e suja, vazia, e encontramos quadros do século dezessete. Do tamanho das paredes, do tamanho de prefeituras (pequenas prefeituras, mas ainda assim). Vários casais de idade na frente deles, nacionalidade européia genérica, bronzeado leve, mãos cruzadas na cintura, parecem dizer para aquele excesso, aquela efusividade explodindo de religião ou nacionalismo, repetida ao longo de um corredor imenso, imenso, parecem dizer: “ora”. Eles sorriem e dizem “o mundo não é assim não”. O moço limpando os corredores também, com fones de ouvido. Lá fora, as árvores empertigadas e surpresas, lívidas em uma luz branca. Do outro lado a janela dá para um pátio interno do museu, que é cheio de esculturas de eras diferentes, uma coisa. Uma estátua grande no centro, de Odisseu (eu prefiro Odisseu) impressionado com alguma coisa que se quebrou fora da estátua, o que torna a situação quase (você vê na expressão do povo em volta) moderna! Muita gente em volta desenha atentamente a estátua. Eu prefiro não checar nenhum dos desenhos, manter-me otimista.

Há uma intervenção contemporânea ao longo de toda a coleção. Misturada à cerâmica grega e pintura holandesa do século quinze, interpretações e 'releituras' de algum artista moderno. No Balzac do Rodin há alguma gracinha com as obras completas do Balzac, a comédia humana toda lá editada por trás de vidro ou plástico parecido com vidro. O artigo da Wikipédia em várias línguas impresso em alta definição (talvez alta demais?) na parede. Algo que talvez seja sobre aquele ali não ser o Balzac mesmo, ser uma estátua do Rodin, e afinal o que é o Balzac mesmo, hoje em dia? Uma menina morde o interior da sua boca, pensando, como se uma resposta fosse esperada dela.

Um homem oriental senta cansado em um canto, uma cadeira pequena, as mãos nos joelhos. O seu grupo está muito adiante, sendo explicado em japonês que Monet pintou todos aqueles quadros da mesma catedral ao mesmo tempo. Eu não sei japonês, mas a entonação não permite que o guia esteja dizendo qualquer outra coisa. E a reação do grupo é animadinha, que agora entende, agora tira fotos, na luz desse conhecimento. Fotos conscientes.

Eu procuro o Cézanne, que normalmente não se deixa afetar. Ele também está rodeado de movimento, e luzes e coisas. Há uma sala escura onde um filme é projetado, fora dela uma plaquinha Fight, 2004, 29 min. Lá dentro sentam crianças entediadas no chão. O vídeo é de dois bonequinhos bem feitos brigando devagarzinho, uma luta coreografada e pra sempre protelada de qualquer clímax, uma que te lembra animes e filmes dos anos setenta. Um deles é claramente o Cézanne de um dos auto-retratos mais famosos, o outro parece o Wallace Stevens. Eles lutam pela terra.

Claro, eu concordo sem ninguém me ver, no escuro.

Uma garota explica em alemão baixinho no ouvido do namorado o que tá acontecendo. Será que ‘pastiche’ em alemão é ‘pastiche’? Eu, pessoalmente, não tenho nenhuma mulher pra me explicar o vídeo no ouvido, nem em alemão.

O vídeo deve estar cheio de referências. Eu entendo o coelho, as peras alternando de um para o outro. Mas se houver referências a, por exemplo, The Anatomy of Melancholy, eu não vou entender (e não há, até agora, nenhum motivo para imaginar que haveria). Ou Clarissa (tampouco, menos ainda). Eu acordo de noite às vezes suando frio por não ter lido nenhum dos dois. Mas tem a minha idade, eu me explico, tem a fadiga. Eu me imagino então em uma super bacana maturidade, digamos trinta e poucos anos, comendo um sanduíche de madrugada na minha cozinha, depois de certamente ter lido os dois livros, e vários outros. O sanduíche que vou ter feito, as mordidas estratégicas e estudadas no intratável escuro. Ah.

Tuesday, May 06, 2008

This article is about Pierre Menard, the Illinois politician. For other uses, see Pierre Menard (disambiguation)

-

Internet é esquisita e desajeitada e precisamos cutucar com gravetos às vezes, é verdade. Mas como princípio geral a Câmara de Comércio de Itapemirim precisa comendá-la, bater palmas. Como com artes contemporâneas risos, funciona dentro duma ficção do mundo que você olha de longe, com funções próprias e engraçadas, onde você sorri que tal pessoa agora fez wiki disso, comunidade daquilo, feed etc (eu uso o jargão como um velho). Na pior das hipóteses, permite mais mundo, uma lista das coisas, uma reunião, um catálogo, e por isso é muito correta, por enquanto. Qualquer versão do mundo merece alguma coisa como gratidão. Provando aí exaustivamente que a gente não pode, não consegue errar de nenhuma maneira irreversível. Fico todo brega em volta, pra você ver. Agora é só educar as filhas em volta e ser feliz.

-

-

em outras notícias,

wunderblogs se foi, moribundo já há um tempo.
Não devo ser o único que os encontrou em tenra idade e ficou (falando honestamente) todo animadinho, todo ouriçadinho. Que comprou o livro e resmungava de tempos em tempos com amigos que não havia nada melhor por aí, etc. Releu arquivos do dante e do mozart mesmo sem entender com tanta frequência, tal e coisa.
Agora não há muito o que dizer. Está é apenas uma formalidade, né, uma incerta de sua própria seriedade nessa terra de tantas internetes. If you have to ask, vá pros arquivos enquanto eles existirem.

.