Saturday, March 29, 2008

Not its cruelty but its frivolity
-
Isso aí não é sério, mesmo que quem esteja lá no meio acredite inteiramente. O fato deles serem mexicanos deveria tornar óbvio o bastante. Que é SÁTIRA.
Mas mesmo sátira: revolta da vacina deixou 50 mortos e, mais grave, centenas de pessoas deportadas para o Acre.

The greatest threat to freedom is not dogmas but the reluctance to define them precisely, tipow, dá vontade de dizer.

Friday, March 28, 2008




Awkward age
é melhor que vocês tudo. Quem quiser retomar empreitadas dignas, de século dezenove (e não for talentoso o suficiente para fazê-lo na cara dura, tipo um Bellow) precisa apenas tomá-lo como exemplo. Não diretamente, porque ele não permitiria, mas como direção. Ah, se o mundo tivesse assumido H James a sério, vestido ele desde sempre. Mas ele é um desses modelos pessoais demais, que não desbundam em literaturas, não gritam na sua cara o que você tem que fazer (como um Flaubert, um Joyce). Mas daí que ainda há tempo.
-


-
tá lá ó. the distinguished thing, that which he knew.

Monday, March 10, 2008

FICCAOBRASILEIRACONTEMPORANEA, de novo
-

Só li Malthus e Polígono das Secas do Mainardi, o que me pareceu o bastante. Dos tipo quase nenhuns brasileiros vivos que conheço, admito, infelizmente, que ele é um dos melhores. E -wait for it, wait for it- ele não é nem bom.
A voz em Malthus é uma que eu gosto de chamar, no quase infinito conforto da minha própria cabeça, de zoeira federal*, uma que eu curto bastante e que é infelizmente pouco comum em um país tão próprio pra ela, tão, assim, socialmente necessitado de sátira. Menos talentoso que, por exemplo, Campos de Carvalho, nas possibilidades principalmente cômicas que ela traz, o Mainardi é pelo menos mais consciente, mais regular**.
Mas a real é que a essência dessa voz é bastante simples, mesmo que talvez não pareça. Você precisa basicamente determinar que ela existe pra sair dançando por aí, dispensando de recursos narrativos tradicionais e trazendo com ar blasé elementos e nomes oh-tão-inesperados-para-uma-história. Difícil mesmo, mermão, é tirar alguma coisa de, assim, verdadeiro de tanta zoeira, ó. O principal responsável por isso no meu conhecimento sendo um Sr Donald Barthelme, que eu já mencionei aqui, eu sei, ridiculamente insistente nos meus gostos como sempre sou. Barthelme e sua trupe fizeram basicamente tudo que se poderia fazer com uma história enquanto Mainardi engatinhava, e sendo infinitamente mais engraçados e profundos e etc.
Não quero soar chato, não tenho nada contra repetir truques velhos em nome de diversão massa, e em lugar nenhum Mainardi parece supôr que está sendo incrivelmente genial e original. Mas é que ele parece ter herdado o shtik cômico-satirista sem trazer junto o resto, o que torna a coisa verdadeiramente boa, e é meio triste que o resultado (divertido e eventualmente desapontador, finalmente estéril) do livro acabe sendo um atestado involuntário do nosso provincialismo***, e um bem mais eloquente do que qualquer dos vários que ele tenta estabelecer semanalmente. Ao menos aos meus ouvidos.

-
não revisar, postar no freestyle, desculpa pelos prováveis erros.




*uma voz descritível como, se me permitem um fôlego só: irônica em todas as direções que consegue imaginar alternadamente maxi e minimalista na sua consciência declarada d'altas convenções narrativas. Pronto.

**Campos de Carvalho parece frequentemente com um moleque de quatorze anos que acabou de descobrir o nonsense em uma animação em flash. Um moleque talentoso, mas um moleque.

***Da mesma forma que as brincadeiras do Bernardo Carvalho com paranóia, também reflexos pálidos e vazios das originais (que eu suponho de novo americanas). Isso se desculparia com visão estética própria, com talento bruto como prosador ou ficcionista, mas isso ele (e por ele quero dizer Aberração, Teatro e As Iniciais, apenas, nenhum saco pros seguintes) não tem.