Sunday, January 27, 2008

I never conquered, rarely came
(tema de hoje: CULTURA)
-
Eu ia fazer um post sobre como os contos do Barthelme são quase todos um só, na verdade, apesar da aparente diversidade de confusões acontecendo. Mas aí eu lembrei que sou burro (Ha-ha).
-
Esta é a primeira morte de celebridade que eu consigo entender como morte-morte. E isso sem se importar terrivelmente com o cara, sem dar muito crédito pro seu coringa pendente nem nada. Sei que achei uma pena, que lembrei de fotos com uma filhinha, que não consegui enxergar apenas o pano midiático da coisa. Só não sei dizer pra onde isso me leva em uma barrinha de maturidade.
-



Quando que a onda toda de quirkiness vai parar? À maneira de ondas (necessariamente um entulho de mediocridade com coisas bacanas e genuínas no meio) ela até que me agrada, mas acho que já deu, né.
Vai demorar pacas até o último hipster, constrangido, abrir os olhos e baixar as cartas. Daqui a um tempo eles percebem algum tipo de ridículo, claro, mas aí é só se desculpar com mais uma camada de auto-consciência pra todo mundo ficar contente. Continuar baseando filmes em roupas combinandinho, baseando revistas literárias em títulos engraçados que não servem nem pra quadros do SNL.
Aposto, sem nunca ter lido, que Jonathan Safran Foer é tipo isso.



(ALGUM TIPO DE DISCLAIMER: você pode, sim, basear um filme em Ellen Page, e ainda poderá por uma década, no mínimo
OUTRO: eu gosto de parte disso que chamam aí de indie rock, eu respeito Stephen Malkmus)


-

4x0 no Uberaba. 2008 é nói.




(esse blog é cada vez mais um exercício em vergonha)

Wednesday, January 23, 2008



-
achewood é muito massa. não tem mais tanta graça em sair aclamando quando até a porra do new york times já percebeu, mas enfim. sei que vocês, em geral, não tem saco, então insisto.
cat and girl constrange na maior parte do tempo. white ninja é basicamente uma piada só e qwantz, deve-se admitir com a maturidade, é apenas uma manutenção habilidosa de pala (ainda que uma pala, hm, importante). xkcd é um blog legal, não conta como tira (a real é que webcomic, assim como standup, é o caminho mais fácil pra gente com metade de um cérebro que não consegue dar forma a seus comentários divertidinhos, mas não deveria ser).

1 2 3 4 5 6 7

Não me esforcei o bastante, mas esses são os melhores exemplos curtos que me ocorreram.
Vão atrás dos arcos, Roast Beef no céu, na lua, Nice Pete, Great Outdoor fight. Onstad é o homem.


A Internet
-
Vejam essas fotos da nossa viagem! !

Em 2008 a Internet comissiona uma música sobre si mesma no novo álbum do Momus.

As entrevistas do Dalkey Archive são bem legais. Exemplo.

A internet difere em dois grandes aspectos da realidade:
1-é potencialmente maior
2-consiste em uma série de tubos (de canos)

n+1 é muito massa, o tanto que me incomodei em ler. Pena que disponibilizam tão pouco na internet. Mas aqui resenhas decentes: . . . .

Exemplos finais e eloqüentes de internetes:

1
2
3
4
5

Para fechar, uma gatinha federal.


Wednesday, January 16, 2008

A Review of After Dark's Looney Tunes Screen Saver
-
Tudo isso aí, Google-Jörmungadr e seus trabalhos todos, tudo vai ter um nome bonito daqui a umas décadas. Nós provavelmente estamos incompreendendo tudo. Rigorosamente. Achando graça em todas as coisas erradas, rindo de Wagner e seu projeto para sair da solidão enquanto coisas, assim, sérias, desenrolam-se.

Tuesday, January 15, 2008

-
Não sei como neguinho se sente confortável falando do Pynchon como se fosse um autor normal. Ele é tipo a natureza, né, assim, tipo o Galactus. Ainda bem que tá do nosso lado.

Friday, January 11, 2008

Notas depois de O Idiota (que não organizo porque não merecem):
-
Não aguento tão bem o tom do Dostoivéski. Por meu lado, ele poderia manter as coisas mais sossegadas, não fazer questão de ataques nervosos e "Oh, mas assim também já é inaceitável, Varvara Filipóvna!" em toda cena. Ficar de bowa por meio segundo e conceder pelo menos uns dois personagens à mediocridade.
Mas minha intolerância é meio frescura (causa uma distância considerável, sim, e irrita, mas não dá pra saber o quanto dela é culpa dos anos, da incapacidade aparente da tradução do Paulo Bezerra, etc). Tudo é claramente bem intencional e propositado, e o que ele consegue fazer depende quase inteiramente disso, de fracotes histéricos e mulheres pontualmente contraditórias, da carga intensa em diálogos estranhos.
Poucos dos verdadeiros povoadores de mundo aí não dependem de suas idiossincracias pra manter seus mundos em pé. O Tolstói, por exemplo (que Bábel diz que escrevia quinem o mundo escrevendo a si mesmo) é um dos narradores menos afetados da vida, mas não deixa de depender inteiramente do imperialismo da visão dele.
A única filhadaputa que conheço que parece dar perninhas próprias a tudo que faz é a Eliot (Henry James quase, mas a distância que ele quase sempre assume também facilita, esquisitinho que ele é).
Imaginar Raskólnikov em um livro do Tolstói é como colocar o Patolino num desenho da Hanna-Barbera. Todo mundo opera dentro de limitações bem claras e necessárias. Por isso tão frustrante e tolo imaginar qualidades para um ficcionista que não lhe sejam naturais.
O mundo dele ser tão característico e estranho é uma falha, acaba traduzindo uma espécie de limitação*. Mas sem ela dificilmente seria possível operar a força assustadora que ele tem, tão única que nem a miopia atrofiada de hoje consegue ignorar (o que não acontece com o moderadamente ignorado James, a rigorosamente ignorada Eliot).



*Você pode ter o mundo estranho que quiser, mas todo o mecanismo de ficção depende de um nível de identificação muito cuisadoso e complicado. O que se chama de estranhamento ainda é aproximação, ainda que uma engraçadinha. Eu falo do estranhamento acidental e ruim.
Grande parte da habilidade de um ficcionista está em manter a realidade daquilo palpável o tempo todo, e grande parte da masseza dos big shots está na maneira bem distinta com que cada um faz isso. Dostô é um narrador e um observador de detalhes desleixado, por isso depende inteiramente da voz específica que ele dá a cada personagem, algo que as traduções parecem cagar de uma maneira especialmente formidável.
O-O-Oh, double-binds
-
Não é coincidência que o maior escritor americano e o maior quadrinhista são também as figuras mais publicamente apologéticas que eu já vi na vida. Estão avançados em milhas em relação ao resto do mundo em pedir repetidas desculpas pelo que estão fazendo (pela pretensão, pelos malabarismos) antes que você possa julgá-los. E agora venham me dizer que aquela não é uma cultura doente*.

(, diz o pseudônimo de alguém com um blog chamado 'altamente derivativo' e que é exatamente igual aos dois**, né. mas eu sou, hm, diferente. será que dá pra pedir desculpa por pedir desculpa?)

*como se houvesse algum outro tipo, *drumroll*

**exceto pela imbecilidade, ha-ha.

Tuesday, January 08, 2008

-
For Reverend Green
é uma música do Nirvana, em exato. Vocês aí não percebem porque são tudo ignorante.

(e voltei de viagem, aliás, daí isso aqui deve viver)