Tuesday, October 30, 2007

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2014. Todo o resto desimporta. Tudo se tornará um. A tartaruga filipina virá ao lago paranoá anunciar a um craque ainda garoto que o destino dele é levar a seleção à vitória. Algum jogador da seleção revelar-se-á um avatar de Vishnu, durante uma partida. Umas cinco religiões se provarão corretas ao mesmo tempo. O Mané Garrincha hospedará centenas de milhares de pessoas. Pelé morrerá em um estoiro que vai espalhar a força em todos os bebês que estiverem em gestação. Vágner Love fará, enfim, sentido.

Thursday, October 25, 2007

23/10/2007
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Alan Ellis, we will never forget.

Wednesday, October 24, 2007

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Suplicy - a resposta dada pelo vento (
2009, Brasil, drama, 165 min, dir: Zelito Viana, com Cristopher Walken, Supla, Angélica)
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A minha dificuldade com música séria é parecida com a do Nabokov, uma insistência em procurar um tipo de linguagem que não se acha ali, e daí se interessar mais pelos caras tocando a música, e a figura infalivelmente engraçada que eles oferecem, o nariz deles, inventar vidinhas, etc.

O que seria uma falha bem aceitável, se a minha cabeça se desconcentrasse com a elegância da dele, conseguindo descrever narizes (e não só narizes, imagine só, todo tipo de coisa, manchas de água e borboletas e todo tipo imaginável de russo) de um jeito que traz cóceguinhas n'alma de todo mundo.

Mas não, tudo que faço é imaginar situações de desenho animado, inventar letras retardadas pros trechos mais assoviáveis das melodias que se percebem de vez em quando (e não, "retardadas" não é exagero, não é possível um exagero para o que acontece aqui dentro às vezes) , insisto em coisas absolutamente gratuitas.

Ele dizia que pensava como um gênio, escrevia como um autor distinto e falava como uma criança. Eu penso como uma criança.

(último quadro sem elementos de cenário, fundo branco, cara frustrada e raiozinho quebrado emanando da minha cabeça, calvin-like-sigh)

Monday, October 22, 2007

Andreis Passarinho em: uma aventura resumida pelo mundo da linguagem e o que ele encontrou por lá
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Linguagem, assim, na minha opinião, por exemplo, fica derrubando a gente com bandas e petelecos, na maior parte do tempo.

Olhamos pro mistério ali nas palavras, nos golpes de caratê que elas inventam, nos cumprimentando e trocando charutos, entendemos aquilo como o mistério de outras coisas.

Daí concordamos em uma seriedade máxima (47%) a ser carregada a todo momento, pela rua e pelos rosais públicos.

Daí (não por isso) não adianta nada. Exceto levar bandão e cair como se soubesse o que está acontecendo. O que não é nada, não é nem perto de ser perto o bastante.

Como quem, caído, fala: grandes merda.

Tuesday, October 16, 2007

Alliteration does more than candor can to justify God's way to man
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Ai minhas bolas esses caras. Andam aí dizendo que preferem aliteração a candor, e dando risadinhas ao escrever essas coisas. São todos gordinhos, eu aposto. Tem dedos cotocos.

O Gass (da frase) não é o melhor dos exemplos, ele é genuinamente bacana pra caralho em várias coisas. Mas até que serve também. Em quase toda essa gente que se recusa a ver o Bem, a qualquer custo, mesmo quando ele veste a cueca pra fora das calças, vê-se uma falta específica de senso do ridículo.

Não finjo que entendo bem a relação, mas os dois andam juntos. Uma seriedade esquisita, mal direcionada. Mesmo quando eles são, como eles mesmo dizem, irreverentes, eles o são dum jeito solene, perfunctório. Ah, tem um negócio ali, deixa eu ser irreverente, rapidão, hein, opa.

Aí minha cabeça faz o que sempre faz: tenta entender, se cansa e decide que todo mundo que não concorda comigo é meio viadinho*.


*ia falar o notthathere'sanythingwrongwiththat, mas poxa, em algum ponto alguém tem que iniciar uma campanha oficial de desprendimento de 'viadagem' do sentido aí mais estrito. Porque não haverá palavra para substituí-la quando eles a tirarem de nós. E eu preciso dela, véi.

Friday, October 12, 2007

Esclarecimentos gerais sobre o quê que a gente pode matar, e em quais circunstâncias
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Ninguém perguntou, mas aqui está.

Não temos nunca direito de matar: macaco que parece inteligente, golfinho e elefante.
Nem pra se defender. Se um golfinho tenta te matar, você deixa.

O resto tudo depende das circunstâncias. Ser humano, assim, que pensa e cresce bigode e não deixa o Arnaldo Jabor manipular, não pode quase nunca. Mesmo sendo muito mau, muito feio. Quando der vontade de matar, pensa nele como sendo o Rick Moranis, confuso diante de tudo, que a vontade passa.

Às vezes um deles vem correndo com faca, ou tem guerra, essas coisas. Aí complica, aí vocês se entendam que eu não sei (ninguém nunca veio correndo com faca na minha direção).

De cara, não é legal matar baleia e nem lula, nem coisas esquisitas do fundo do mar em geral, mas dá pra imaginar situações onde é pra matar, porque é mais bonito. Mas só se for com arpão, com grande dificuldade pro nosso lado, com vários simbolismos se entendendo aqui e ali. No final todos se entreolham, em silêncio, em respeito, significando muitão.

Inseto pode matar sempre que for inconveniente, e aqueles muito pequenos (tão pequenos que não se sente o corpo deles ceder, ao esmagá-los, e nem se ouve nada) pode-se matar a qualquer hora, sem qualquer motivo.

Pássaros são nossos inimigos, podemos sempre matar pássaros. Sempre que se mata um pássaro, você está dizendo "voa agora, filhadaputa" em nome da humanidade, e ganhamos um pontinho.

Idealmente não se matam gatos, mas é uma questão de elegância, de cortesia com o universo, no fundo eles são vazios. Você está apenas sujando a si mesmo, ao matar um gato. O que não deixa de ser extremamente indesejável.

Mata-se cachorro malvado, nunca se mata um cachorro amigão (e nem nunca vai ser necessário matar um cachorro amigão).

Peixe pode matar sempre, e de qualquer maneira imaginável. Não há, não pode haver, crueldade com um peixe.

Boi e porco você mata para comer, e de maneira limpa e simpática. Ele está sendo cortês em te oferecer as delícias dele, não custa nada ser simpático de volta.

Há alguma espécie de regra geral sobre matar mamíferos. Ela nunca se enuncia, ela corre contra os limites todos aí da linguagem, mas se ilumina em luzinha na sua cabeça (em um canto especial, até então inobservado) quando algum dia se levanta malandrão, requisitando de ti a tua alma.

Monday, October 08, 2007

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Pois então, fazer disso um blog abrangente e tudo, cobrindo um canto que me escapava (e por fazer questão, né, já que não há como não ser de interesse). Mulher é uma grande duma porra duma formidável lição em humildade.
E tanto, que mesmo tomando parte dela de longe, de canto de olho, de olho baixo, como faço quase exclusivamente, o efeito é assustador.

Saturday, October 06, 2007

Songs of Al Pacino and Adam Sandler (com agradecimentos à minha mãe)
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Não posto só pela gracinha. Álbumzão.