Wednesday, May 16, 2007

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Não é como se aceitasse de verdade, mas engoli mal-engolido a falta de sentido derradeira das coisas ainda muito novo. Treinei-me para não insistir nisso, Você não quer ir aí, bróder. Olha pressa bola como ela é é colorida.
E mesmo assim minhas defesas caem com a maior facilidade. Saio de um romance ou de um conto onde procurava significado nas falas dos personagens e motivo pras coisas mais simples (dependendo do autor, de um jeito até irritante, tipo o nome do cara ser tal) e saio aplicando isso por aí quando o livro se fecha.
Até perceber o que estou fazendo e recuar, a frustração já aconteceu. É só um pôr-do-sol, bestôncio, rá.
Quando ouço música sem óculos, o borrão que me é apresentado não faz questão de existir como a música tocando e a impressão que deixa, mas quando ela acaba e voltam os óculos as coisas tem arestas e cantos e cores, procura-se uma lógica para processar tudo aquilo, o porquê da disposição dos copos na mesa, um rosto aparente na composição entre tevê e estantes. A forma por detrás das coisas que até há pouco era encontrada com facilidade, se você apenas prestasse atenção.
Mas o pior, e mais esquisito, é quando dá aquilo de acontecer algo que lembre filmes bestinhas ou propagandas na vidareal (i.e. logo depois de um término de namoro, abre-se um livro com poesias que já significaram certas coisas e acha-se uma foto dela) e você tem alguma dificuldade de aceitar a força daquilo. Porque é que eu deveria me importar se é tão clichê, se eu acharia risível em outro lugar. Se é tão, tipow, manipulador?
Deixam-nos suspeitos do pobre do universo, malditos traidores. Achando que é necessário rir ao ver crianças de altas (i.e.mais de duas) etnias brincando na grama, supondo ser aquilo um equivalente metafísico de comercial de banco.

Friday, May 11, 2007

See The Moon? It Hates Us
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A maioria das pessoas carrega tanta coisa consigo, se preocupa em desempenhar tanta coisa que é muito difícil ver alguém através. Aperto os olhos feito míope (literalmente, às vezes) até que a imagem fique séria, que apareça a infelicidade provável dela.
E no entanto umas não. Umas nunca deixam de sê-lo sem que você se esforce. Dolorosamente, até. Em festas e coisas assim é notável. Tenta-se juntar essas pessoas, mas geralmente sem sucesso.
É completamente inapropriado (mas relativamente incontornável) que sempre tenhamos que agir da mesma forma com todo mundo que conhecemos. Incorrer nas mesmas inseguranças e interrupções. Desenvolver piadas internas que substituam intimidade mesmo quando a coisa toda parece desnecessária.
Em tudo isso nos desperdiçamos, indefinidamente. E sabendo bem o que se perde, às vezes por inteiro.