Monday, January 29, 2007

Onde Andreis Passarinho finge por um instante que isto não é um blog e senta as pessoas na sala e assume um tom ligeiramente but seriously now folks, para o constrangimento geral
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Há sempre um aspecto tolerável em cada coisa pavorosa*. Às vezes até um bonito. Da mesma forma que dá sempre pra perseguir um traço mesquinho nas coisas boas. E sempre acomodam-se as razões mesquinhas sobre as outras, como se isso fosse prova o bastante. Você acha que é o espertalhão do morumbi, e tudo mais. Entendemos tudo ao avesso, sempre. É como se o hardware aqui fizesse questão.
Enfim, isso pra falar que os dias aqui às vezes surpreendem com coisas que aguentam. Que te encaram de volta e se recusam a ser contorcidas e reduzidas a tolices. Que sobrevivem, imagine só.
Tava certo, ele, sobre a mente, que realmente nunca pode ser satisfeita. Mas o ponto nunca foi esse, nowwasitever?
Crescer é verdadeiramente muito comprido. Demorei esse tanto para ceder e quedar e silenciar diante da seriedade de algumas coisas.
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Agora é o ponto onde as pessoas que me conhecem na vida real** se perguntam se estou falando de algo específico, e onde eu respondo gesticulando amplamente em direção a uma janela. Ou elaboro uma resposta supostamente misteriosa que, na verdade, não quer dizer nada. Por hora, entretanto, decidimos ficar com:
Cowabunga.
Pergunta da platéia se não é possível ser sério por mais de três parágrafos. Resposta em forma de torta.

*imagino uma ou outra exceção para todo mundo, no meu caso manifesta-se na existência da fernanda young (minúsculas dela).
**aquela com árvores, ministros.

Wednesday, January 24, 2007

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TEMA DE HOJE: Cultura

Pálido que sou*, de quase inexistente, acho que, mesmo assim, nem me esforçando conseguiria ser tão desinteressante quanto Daniel Galera. Nem aqueles caras do Manhattan Connection conseguiriam, nem o Caio Blat, quem quer que seja Caio Blat. Talvez o Al Gore consiga.
Qualquer amigo meu é mais interessante do que ele, o el nino, etc. Ele é como que rigorosamente desinteressante. Deveria entreter a possibilidade de usar sempre um chapéu diferente, escrever em caps, escrever bêbado. Antisemitismo, bater na mulher.
Espero que ele não google a si mesmo, como é divertido de imaginar que faça. Se sim: Bróder, tenho nada contra, keep it ever so real?

É enternecedor/divertido ver um autor que-tudo-pode-até-sacode trabalhar dentro de limitações esquisitas. Nabokov não conseguindo direito levar as coisas até um auge sem truques e simetrias de forma, Tolstói nunca parecendo um de nós, Pynchon incapaz de criar algo remotamente parecido com um ser humano, Borges e Dickens incapazes de escreverem uma linha sem ter aquela coisa tão, hm, agradável o tempo todo. Não dá pra perceber esse tipo de coisa com alguém de duzentos anos atrás. Prosa antiga demais tem sempre gosto esquisito, expressões que você não entende o que fazem lá, etc. Mas também, né. Já me impressiona que a coisa faça sentido depois de cinco anos do cara morto.
Tem gente que, com prosa bem menos versátil e virtuosa, consegue criar um humor inalterado e perfeito, onde não lhe ocorre que falta nada. Calvino quase sempre, Flannery O'Connor, Chékov, Ryan North. E o que faz menos sentido: Carver. Tudo funciona com eles.
Só depois de enumerá-los que me ocorreu que são todos contistas**. Ou seja, meu ponto na verdade deveria mudar agora, estou praticamente falando merda. I guess we all learned something today.

*não literalmente, literalmente sou cor-de-caixa.
**calvino de cidades invisíveis, tinha em mente

IN OTHER NEWS, cd do andrew bird vazade. Solte o prato quente, o filhote de cachorro que estiver segurando e vá baixá-lo. Convite pra oink, até, se for necessário (mentira).

Pronto.