Sunday, December 31, 2006

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Já estou começando a ficar puto com essa rapidez dos anos. Década quase morta e nada se levanta, nenhum padrão, assustador que fosse, começa a se formar nas coisas. A única cara que conseguiria imprimir minimamente envolveria fotologs e bandas que tocam no o.c., e eu não quero fazer isso.
Fiquei repetindo pra mim mesmo, entre sonhos, hoje: Friedman, James Brown e Pinochet. Se o nosso entendimento intuitivo do mundo não for completamente infecundo* (e eu nunca vou admitir isso), significa que, por necessidade de manter um equilíbrio, nasce agora uma mistura dos três.
(Talvez o Saddam no lugar do Pinochet, hm)
De qualquer forma, espero por desenvolvimentos aí da realidade com expectativas irreais de desenho animado, como sempre. O funk está solto, decerto resulta nalguma coisa. Que em 07 as bolhas estoirem de vez.

*eu ia dizer retardado, mas retardado ele é.

Wednesday, December 27, 2006

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Será que os portugueses entendem que estão sendo portugueses enquanto fazem a coisa deles? Todas as palavras inacreditavelmente apropriadas, sempre. Até burocracia soa agradável e afável, feito de massinha. Acaba que não consigo ler blog português. I mean Loiça.
leitura recreativa para as férias. se não achar graça, adicione 'nas minhas calças' ao final de cada frase. ensinaram-me essa manha há tempos, sobre homero, e é uma beleza.
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Um homem e mais dois avançam num setor supostamente dominado e sem perigo, alguns quarteirões perfeitamente vazios. Como em algumas outras cidades cujo nome você nunca gravou, algumas casas encontram-se quase impecáveis. Foram encarregados de checar os prédios mais altos do quarteirão, os que ainda estão de pé, e verificar se algum pode servir pra alguma coisa, se as janelas permitem uma visão que não se alcança dos outros lugares, potencialmente um lugar para um atirador de elite. Os três torcem para que os prédios todos sejam baixinhos e eles possam retornar ao resto do destacamento.
Cinzenta, a cidade. Mas talvez toda cidade abandonada pareça cinzenta. Recusa-se a admitir beleza, ou qualquer outro aspecto positivo de toda situação, como se essas coisas pertencessem a outro mundo. Parece ofensivo admitir que o pôr-do-sol esteja bonito, que uma cor para qual não parece nem existir um nome se ofereça para eles adensando-se em volta do que já é um espirro de sol que morre ali no tão-distante. Uma ostensividade de mau gosto.
A rua é maior do que eles imaginavam, e os prédios grandes distantes um do outro. Nenhum deles deve dar em nada, mas ninguém tem coragem de sugerir que eles desobedeçam ordens diretas. Cada um pega um prédio para verificar sozinho, para que a coisa acabe logo. Por sorteio é designado a um deles o mais distante, um hotel que provavelmente não cobrava muito, mesmo antes de ter um buraco do tamanho de uma vaca na parede.
A atenção dele percorre a entrada do hotel e o interior da recepção, tudo perfeitamente coberto de poeira, de modo que não há nenhuma cor distinta à vista. Ele está sozinho naquele prédio sem nome ou dono, não sabe nem que dia é hoje.
Arremessa gentilmente um vaso de flores para a parede, esperando um estilhaço maior, mais espetacular.
Caminha a recepção com um desdém despojado, rasgando o sofá com uma faca e jogando livros de uma língua inexistente ao chão, tudo sem nenhuma pressa. A última vez que ele havia tentado passar essa impressão havia sido diante do irmão mais novo, anos atrás, em casa. O irmão cujos dedos ele apertava até fazê-lo chorar, quando ele era novo demais para entender o que estava acontecendo. Procura diante do balcão as chaves pros quartos, pega a que responde ao maior número que encontra.
Corre escadas acima, galgando dois ou três degraus por vez. Ao fim do prédio, o quarto que corresponde à sua chave está aberto, escancarado. Ele amaldiçoa nada em particular e deixa a chave cair escada abaixo.
Diferentemente da recepção e da aparência do prédio lá fora, o quarto parece normal. A cama apenas ligeiramente desarrumada, pratos com restos de comida no chão.
Ele observa-se no espelho e finge apertar uma gravata inexistente, abre as gavetas sem dar com nada.
Desapontado, senta-se na cama, já ligeiramente esquecido do que é que ele está fazendo ali. Ele poderia se acostumar com isso, com esse quarto. Balança-se um pouco para verificar a maciez da cama, pra cima e pra baixo com mais força, a mola de repente histérica.
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Um estrondo irrompe longe dali e estampidos menores se seguem. Como se desenvolvimentos daquele primeiro som, que por sua vez engendram outros, ramificando-se. Ele entende muito bem o que quer dizer, mas não consegue imaginar de verdade alguma urgência para aquilo. Tudo soa extremamente distante, não parece lhe dizer respeito. Tira as botas por um instante, e calça sua mão com uma delas. Movimentando os dedos do pé, tentando com uma frustração divertida no fundo da cabeça movimentar cada um por vez.
Quando divisa a janela e o recorte de cidade que ela proporciona, ouve o zunido já familiar.
Ele cai para trás na cama, confuso. Não é que a dor não seja intensa o bastante (de fato sucede o contrário), é que sempre espera-se algo especial da bala que vai te matar. Talvez a bala nem fosse direcionada a ele, talvez fosse aquilo um acidente, ele percebe. Quase nada é intencional, isto tampouco seria.
Os grunhidos de dor soam impertencentes, fios fortes e fracos e agudos e graves sobre os quais ele não parece ter completa autoridade. Não lhe escapa que a sua posição na cama depois de cair é a de quem vai dormir, uma última graça do universo. Ele está observando o que todos os que o antecederam observavam ao acordar, um canto específico de um quarto qualquer, que não diz nada. Mas as particularidades todas do que ele estava vendo o encheram, parecia necessário atentar para tudo, já que ele não estaria mais lá em breve. A sua cabeça chegou a cair no travesseiro, e descansa até com algum conforto.
O quarto também não lhe diz respeito, não parece se oferecer particularmente para ele. Ele é um acidente na história daquele quarto, um intruso.
A atenção fraqueja, ele se distrai do seu corpo por um instante, tentando pensar claramente apesar de tudo. O principal parece ser manter os olhos abertos, os olhos abertos. Ele desespera-se para ficar retido em alguma coisa, reconhecer-se no quarto, que insistia inteiramente na sua ausência ali. Toda a cabeça voltou por um instante para a dor, e ele forçou-se a voltar ao quarto, ao fato dele estar ali deitado morrendo. Ali, alguma coisa sua, as pernas sobrando no espelho, elas resistiriam ali para sempre.
Outras vozes gradualmente aparecem na sua cabeça, entoando o que parecem ser línguas inventadas que ele quase chega a compreender. Vozes emudecendo a sua própria, que se esforça para fazer-se reconhecida. Tenta lembrar alguma coisa que seja apenas sua, que prove que ele ainda está lá, que ainda é possível fazer sentido disso e daquilo.
Uma cadeia de rochas, a cadeia de rochas por trás de sua casa na infância, é a primeira coisa que aparece, brotando involuntariamente como se não fosse seu. Que encerrava uma parede para todas as janelas do lado de trás da casa. Ele cristaliza a visão e se esforça para que ela não se altere. Martela essa mesma imagem até realmente ela existir sem significado, a voz engolfada pelas outras e a cadeia de rochas soando indefinidamente, retida em uma parte do espelho que o olho não alcança.

Wednesday, December 20, 2006

De extrema urgência

tem que matar. com fogo.

Friday, December 15, 2006

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É uma merda pensar que aquela maneira inaceitável do dawson (férias, deixa eu) assegurou a maneira odiosa de um sem-número de babaquinhas, tornando de boa que eles fossem daquele jeito também. Talvez tenha vertido babaquinhas de gente nula, até.
Essa garotada precisa de gente correta, os programas tem medo de fazer gente legal, senão os mirrados não se identificam. Meu modelo sempre foi didi mocó, e olhem pra mim agora. (coloca capacete e senta em um F16 construído com palitos de frutily, premiados todos, fazendo barulho do motor com a boca).

Wednesday, December 13, 2006

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Férias férias (férias), férias. Férias.
As pessoas falam que três meses, caramba, não sei o que fazer com esse tempo não há coisa cristã a se fazer com tanto tempo e eu fico esperando pelo final da piada.
Hoje tive uns quatro sonhos diferentes, em uns eu me percebia sonhando e fingia que não tinha percebido, resistindo de com força pra não acordar, como se uma força desentranhando. Daí telefone pela casa, senta que lá vem outra história. Matei convidados de uma festa com um rifle. Esperei pelo almoço manuseando controle da televisão com os pés, um cabelo cuja forma a inquisição dos dedos sugeria fanfarrão. Se eu tivesse ligado a televisão, estaria John Candy, eu podia sentir, prefigurando absolutos. Mas faltam-me polegares opositores. Descobri pilhas solteiras. A tela desligada asseverou a fanfarronice.

Thursday, December 07, 2006

Duas coisas que não merecem post próprio
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Este negócio de blog não é saudável de jeito maneira. Compreende-se a necessidade (necessidade!, dizem os velhinhos dos muppets no camarote), mas eventualmente alguém dirá essa geração um bando de gente que não consegue dar um passo sem tê-lo comentado, fotalogado, não consegue escrever sem ter alguém que leia imediatamente.
E ninguém consegue se levar a sério. Ou, pior, começam a levar a sério a bobajada que só é pertinente e necessária aqui nas intraweb. (O que é terrivelmente apropriado aqui dentro, mas acaba escapando).

Na Intenção de Chun Lee
Eu posso dizer que o orkut me fez atentar pras elegâncias que o mundo despeja toda hora em cima da gente debaixo de um disfarce ofensivo? Posso?

Sunday, December 03, 2006

Olha, eu não me importo com tudo isso aí do meio-ambiente. Não digo isso porque é bonitinho e irreverente (irreverente, meo deos, ainda tem gente que precisa se mostrar irreverente aí nessa tróia). Eu não me importo porque a imaginação é fraca, mesmo. Ficam falando que vão engolir as praias e matar as morsas e eu não acredito. Até parece. Morsas nadam, pinguins também.
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Descobrir um ministério novo, com seu ministro sempre apropriado (como eles conseguem?), é como descobrir um novo ursinho carinhoso, um novo smurf.

Na foto, o Ministro da Pesca encontra o Ministro da Cidade. Mirthfulness ensues.
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Seria mais apropriado se eu falasse de livros, filmes. Faria mais sentido. O filme dos mágicos lá tem David Bowie como Tesla. Isso deve ser o bastante para arrastar alguém até o cinema ou impedir com igual força. No mais, livros são legais, leiam, etc. Sobre música, falem com o pará.

E isso é tudo, those are the fake news, I'm chevy chase and you're not. Só posto de novo daqui a mil anos.