Tuesday, March 28, 2006

a mesma coisa de sempre
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A coisa é que mundo não tem sustança o bastante, às vezes, não tem. Não chega a cair no chão, mas também não convence de todo. Aí você fica lá, olhando suspeito para todas as coisas que pendem soltas, sem saber o quanto daquilo é afetação. Acho que me falta um pesadelo de vez em quando para me aferrar à realidade.

Thursday, March 23, 2006

A infância da juventude capitalista contemporânea resumida e simplificada em uma pequena anedota
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Reunidos na casa de um deles, depois da escola, com o pretexto de realizar um trabalho de geografia. Assistem a um clipe de algum cantor de música pop de quem meninas gostam e que todos eles concordam que não é música porra nenhuma. Os avanços através desses campos são feitos rapidamente por meio de perguntas e respostas nada despretensiosas, as intenções são claras, delimitar o quanto é que eles têm em comum, afinal, já que nos jogaram juntos em uma mesma sala por sabemos lá quanto tempo. Apenas um deles realmente se importa com tudo isso, o resto está satisfeito com as habilidades esportivas observadas e a falta aparente de chatice ou frescura evidenciada em sala de aula. Ele arrisca um comentário sobre jogos de videogame antigos, iniciando uma discussão animada sobre os jogos que todos eles jogaram nos consoles anteriores aos vigente. O comentário foi algo deliberado, saiu de uma só vez como se estivesse há algum tempo perambulando a cabeça, mas nenhum dos outros percebeu, aparentemente. Eles também não percebem muita coisa.
O dono da casa está mais confiante do que na escola, mais histriônico e, os outros concluem mentalmente, mais chato. Ainda tolerável, mas chato.
As personalidades não eram caricaturais a ponto deles serem facilmente reduzidos cada um a um personagem específico de um desenho animado qualquer, o que era bastante frustrante, não existia um engraçadinho, um líder, um fortão, uma besta amável e o inteligente. Aquele seria o grupo de amigos que o acompanharia o resto da vida, qual é o papel que cada um vai desempenhar? Todos mais tarde se achariam em algum ponto o líder do grupo, considerando secretamente ser muito superior em alguma coisa (com a exceção de João Alberto, o mais próximo que eles tinham de uma besta amável, e que era realmente um cara amável e humilde e não se achava o líder de coisa nenhuma).
A conversa sobre videogame ainda acontece. Com mais crianças do que se imagina, a primeira noção de fracasso e frustração vem de jogar alguma versão de algum jogo do mario, depois da vigésima tentativa de subir em cima de uma plataforma flutuante em movimento fracassar e o encanador cair em um infinito, esquece-se porque é que se tenta subir em plataformas em movimento para começo de história e a vontade é desligar o videogame imediatamente, e quando a tela escurece o coitado percebe que não sabe o que vai fazer agora, assim, com a vida. São crianças problemáticas, essas, gente que fica inventando história. Apenas dois ali eram assim, os outros dois eram de boa.
Ficaram bastante felizes ao perceber cantos esquecidos da memória ressuscitados e provados corretos, se sentiram menos solitários por um instante. A cada silêncio achava-se que a conversa iria morrer, mas alguém lembrava de mais um pequeno pedaço de alguma coisa, cantava uma música tema, imitava uma voz, mas um silêncio qualquer, sem nada demais, acabou se provando derradeiro, e as atenções mais uma vez voltaram à televisão.
Um deles, entretanto, o que instigou a conversa, sabia o que esperava daquilo e se sentiu meio desapontado com a primeira experiência que teve com nostalgia. Riscada mais uma das sensações incorpóreas de que tanto ouve falar, espera que as outras não decepcionem.
Ele preferiria ir para casa, o entardecer de sua casa era o único agradável, os outros eram deprimentes. Uma tarde na casa dos outros é uma tarde sem fazer o que se gosta de verdade, tempo livre desperdiçado. Mas a mãe do garoto mencionou pequenos hambúrgueres. Ele estava intrigado com a noção de pequenos hambúrgueres.
Enfim, eles ficariam amigos, teriam piadas internas e emprestariam pijamas, se afastariam por volta do ensino médio. Esse tipo de coisa.
O dono da casa estava ansioso para agradar, mas não ia ficar pegando água pra ninguém também, não era um veadinho. Túlio, a outra criança problemática, tinha pensamentos complexos demais para serem desenvolvidos aqui.
Três deles tinham o que homens chamam de cabelo preto (que vai do que mulheres chamam de castanho a verdadeiramente preto) e João Alberto era loiro com sobrenome alemão. Túlio era gordinho e sensível sobre isso, o dono da casa tinha sardas e era o melhor no futebol sem ser um babaca por causa disso.
O único a manter contato com todos durante a vida toda seria João Alberto, todos passariam por uma fase difícil e diriam que Olha, não teria sido fácil sem a ajuda de João Alberto.
Depois todos eles vão e crescem e têm existências individuais, um amigo em comum se mata, um deles tem câncer na próstata, todos passam por crises de meia-idade, os sonhos que restam são destruídos por esse mundo selvagem, selvagem que não dá jeito e aí todos morrerão, um por vez, sozinhos. Com a exceção de João Alberto, que representa alguma coisa e acaba se revelando algum tipo de espírito da floresta que vive para sempre.
Lista Curta de Coisas que são meio palha
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-O uso de "néon" em imagens poéticas
-Teatro

Friday, March 17, 2006

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Claro que é bacana gente como o Chris Ware brincar de que Quadrinhos é coisa séria, sim senhor olha só o que podemos fazer com a narrativa, Nós temos nossos próprios recursos e somos publicados na New Yorker. Mas e o perigo, ó meu caralho? Quadradinhos são uma das poucas coisas que não foram chatificadas ainda, uma das, sei lá, quatro coisas. Pode brincar de coisa séria, mas brinca escondido, faz capa colorida pra ninguém perceber, com onomatopéias e animais falantes. Daqui a pouco vocês tem função. E aí já viu, né.

Thursday, March 16, 2006

Aquele blog saudoso do figueiredo é meio doidinho, né?

Friday, March 10, 2006

Andreis Passarinho passeia pelo mundo lá fora
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Existe um portal de blogs chamado Verbeat.
Sério. E um outro chamado Insanus. Com U de uva. É quase o bastante para ficar irônico, mas nunca se sabe, né?
Eu vi uns cachorros e umas árvores, também, e uns gnomos de chapéu cônico trocando o cartaz de um outdoor.

Monday, March 06, 2006

Essa cousa infinita e bonita que é a internet E como ela afetou Andreis Passarinho Nas Madrugadas de Sua Juventude
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Ninguém falou disso ainda, falou? Claro que mencionam aqui e ali, mas existe algum desses romances americanos aí que vocês gostam que fale sobre? Que seja descrito na parte de trás como a melhor captura do momento da internet de que se tem notícia, a remarkable achievent, essas coisas?
Fico com medo de quem vier primeiro, vai falar bobage e vão gostar do mesmo jeito.
João tinha um BLOG e sua ex-namorada procurava dicas de seu envolvimento com outras garotas nos SCRAPS de seu ORKUT, muito lhe doeu a rápida transição de COMMITED para SINGLE.


Ainda estoura em mim como novidade, às vezes, Essa cousa Infinita e bonita que é a internet, não era tão animado com a coisa até um tempo atrás, mas hoje em dia estou mais proficiente (ainda cutuco computadores com gravetos quando eles chiam, e ofereço bezerros quando eles dão birra, mas a internet já é um campo mais familiar onde pulo de vitória-régia em vitória-régia sem afundar) e achar coisas legais e que Divertem Ensinando está ridiculamente fácil.
Nós somos os últimos que ainda vamos nos lembrar da primeira vez que mexemos na internet (a minha foi no site da turma da mônica, cujo propósito me escapou e ainda me escapa), logo vão brotar como pragas pelos salões relatos emocionados como o do Ferreirinha

"Eu me lembro quando conheci o Google e ele retornou tantos campos de meu interesse! Formigou pela primeira vez nos dedos essa infinitude de possibilidades que não serão investigadas!, pela primeira vez fora das asas de um livro a sensação confortante e formidável de não estar por demais consciente dos limites de todo lugar!"

Na foto, Ferreirinha se admira com a internet

Hoje em dia o que mais ocupa meu tempo na coisa são blogs, e adquiri o hábito, a princípio involuntário, de tomar os autores como personagens fictícios, (o que é meio verdade, muitas vezes) caçando a explicação por trás de crípticos one-liners e letras de música de fossa nos blogs linkados com mais efusividade. Algum cretino ainda vai escrever um livro, ou pelo menos alguns capítulos, assim, sendo menos sutil do que deveria. Mas legais são os mais discretos, os que relatam o que acontece à exaustão de qualquer interesse minimamente saudável costumam ser secretos ou ilegíveis.
Sobre os blogs terminados sem explicação, no meio de agosto de 2001, ou novembro de 2002, esses filhos da puta frustrantes, imagino que em um futuro próximo serão mantidos em algum site antropológico muito linkado com explicação do que aconteceu com seus postadores e uma seção especial para blogs secretos terminados por atentados terroristas e por esses furacões e monstros que aparecem de vez em quando.

xXFallen_AngelXx morreu devido à complicações derivadas de sua bulimia, apesar do template, tratava-se de um homem