Tuesday, November 22, 2005

Walking the crooked and pointless ways with the monsters that talk, monsters that walk the earth
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Eu sei que as pessoas gritam e batem panelas, chamando atenção para a sua existência ofensiva e grosseira como podem. É a única maneira que elas encontraram de assegurar que estão vivas, e que a vida é bonita, é bonita e é bonita. Tá certo, mas eu não acreditava nelas direito, não de verdade. Eu olhava nos olhos e eram olhos de boneca, entenda, eu tentei.
Com algum esforço arranco da memória um exemplo, o apagado Pedro Ilha, um colega desses cursos de inglês. Pedro Ilha parecia ter me escolhido como amigo, por razões que nunca entendi bem, nunca encorajei esse comportamento com qualquer resposta aos seus comentários, revoltantes até pros meus lenientes doze anos. Imagino Pedro Ilha passando a tarde toda olhando para a parede, esperando uma refeição, comentando o clima. Pedro Ilha pegando um sobrinho pelo braço e cochichando palavrões no seu ouvidinho, sem sorrir. Pessoas assim, mais do que assustar, impressionam com sua irrealidade.
Só hoje que entendo e aceito. que elas existem sim, elas existem pra caralho. E o orkut foi a maior dica que já tive nessa direção até agora, ah, as coisas que vejo, as coisas que vejo. Found Photos talvez até mais do que o orkut, só que mais otimista. Esse mundo roda arrastado, meu deus, com tanta beleza desnecessária.

Saturday, November 05, 2005

There's a fish in the percolator
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olhando moroso pro que acontece dentro da minha cabeça, (e nem sou rigoroso) não é muito fácil entender porque que a minha mente insiste em acordar. os cantos legais do meu cérebro, os arredios e deformados, devem se entediar tanto, tadinhos. incompreendidos e isolados dos outros, apanhando dos fortões e vomitando no vestido das garotas. devem ser eles os responsáveis por essa minha curiosidade tão dispersa e arbitrária, inexplicável. que me cutuca com vontades de revirar apartamentos de alheios e desinteressantes, de todo mundo. de conhecer cada canto mal arejado do mundo só para me contentar que não, não estou perdendo nada. e poder assentar e dormir.
é ridículo, de madrugada tudo me instiga. me vem curiosidades absurdas, dispersas, como disse. não é de algo objetivo, é de tudo. das pessoas mais desinteressantes, de conhecer algum velho carioca, ou revirar o apartamento de algum desconhecido. e isso não é sexual, não, gente chata, mas queria um além-vida com free-look mode.