Tuesday, October 25, 2005

I may be paranoid, but am I paranoid enough?
-
Eu não penso muito, só quando não consigo dormir e a minha cabeça não me dá outra escolha senão percorrer os seus campos infecundos, cavucar com os pés desanimados a areia fina que acaba tão cedo em concreto e ouvir o vento desesperançoso até o sono chegar. É mais divertido do que parece, a minha cabeça é um lugar engraçado. Patético, mas engraçado.
Ontem estava nessa quando senti algum intruso debaixo do travesseiro. Meus dedos entregaram sua identidade facilmente, depois de tantos anos manuseando peças similares: era uma pecinha de lego, três por dois, um coiso de altura, vermelhinha. A peça mais genérica (e portanto simbólica) possível.
Não vejo peças de lego naquela casa há anos, acho que o universo está querendo me dizer alguma coisa. Ou isso ou ele não quer que eu durma.

Monday, October 17, 2005

Apenas esperando pela incontestável aprovação de Deus


Thursday, October 13, 2005

Entre livros, fico na rede coçando o queixo, perscrutando as arestas minhas que me incomodam, as partes que se esfarelam se passar o dedo. Decido que me falta coragem, não apenas, mas principalmente. Satisfeito com uma conclusão importante e corajosa dessas, me espreguiço e vou procurar um chocolate.
É sempre melhor situar um escrutínio pessoal para a tarde, o mormaço permite chegar nos cantos mais arredios, não há orgulho que não se amoleça. Mas tomar decisões é outra história, para isso existem as madrugadas, horas solenes.
Mas oh, minha vontade é pular umas etapas de esforço e chegar direto na parte onde percebo que tal coisa Esteve Dentro De Mim Todo Esse Tempo. Na verdade a poção era só água, yeah.

Friday, October 07, 2005


onde o autor olha para críticos hipotéticos futuros com desdém
e declara a superioridade inegável da sua recém-nascida bitácora usando como prova a presença e o endorso de esquilos boxeadores
(sendo o título já uma evidente proteção auto-consciente de uma natureza de críticas)

Thursday, October 06, 2005

de vez em quando sinto algo engraçado com as Grandes Obras, aquelas que merecem edições bonitas e devidamente anotadas, Tesouros da Literatura Universal. nunca me parece algo natural, humano, a elaboração de coisas desse calibre. frases tão certinhas e infalíveis, tão acima do esforço humano que tenho acesso na minha humilde cacholinha, que não consigo imaginar a confecção delas*. passa bem acima da minha cabeça, simplesmente. pelo que sei, elas sempre estiveram ali, escritas, compostas, limpando poeira dos ombros e justificando o comportamento humano com sua existência. por isso, quando há um daqueles momentos prodigiosos de a-ha, quando se percebe um detalhe qualquer que não está tão claro, não admiro o autor, é como se percebesse uma lógica externa à ação dele, algo tão uou que não quero admitir que foi bolada por um ser humano, aquilo foi gerado espontaneamente dentro do livro, é claro, os personagens são culpados, evidentemente, ou então eu que percebi algo que não estava lá antes. de qualquer forma, é divertido.

hm, essa não é a forma correta de se começar um blog.
enfim, olá.

*mais comum com poesia do que com romances, porque todo romance tem trechinhos e que-tais que não são lá essas coisas, podem ser bem construídos, e tal, mas revelam as cordinhas por trás das coisas. elas podem não se embaralhar, mas aparecem. tá, é necessário pro desenvolvimento disso e daquilo, mas não dançam break com sua alma, não tomam chá e biscoitos com seu espírito**

**o que quer que isso signifique