Frozen images, respected few
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Um show de rock é um evento quase sempre desajeitado. É possível imaginar ocasiões de um alinhamento cultural extraordinário onde o humor se assesta, as pessoas realmente se entendem, mas parecem ser bem poucos. Geralmente você lida com muita gente besta, som ruim, moço da cerveja gritando. Os materiais disponíveis tão dificultosamente tentando se congregar numa fruição genuína, com tantos cotovelos e nucas literais e metafóricos te acertando e te impedindo, as empresas que patrocinam o evento com suas vinhetas e cartazes ridículos. As presenças apresentadas em variados níveis de pureza e suposta autenticidade (proximidade dos artistas do seu auge criativo, presença exigida de todos os membros da formação original, inclusive dos que nunca acrescentaram nada musicalmente, etc).
Eu falo disso porque sábado agora eu vi a minha banda preferida de todos os tempos, que eu escuto desde os quinze/dezesseis, e foi uma experiência emocionalmente muito forte e estranha. As dificuldades descritas estavam lá, ajuntadas ao tempo horrivelmente curto e aos fãs impassíveis de Billy Corgan. Mas a maioria delas não diminuía (pra mim) a força daquilo que eventualmente se configurava, e a princípio eu não conseguia entender como, exatamente. Até que me ocorreu que a maior parte da boniteza do Pavement já vem de uma awkwardness*, de um desajeito, um constrangimento. Daí que In the mouth a desert cantada por um homem maduro e aparentemente constrangido (de voz já dessemelhante de si mesma, diante de uma multidão apenas parcialmente compreensiva) não resulta menor, mais dispersa. Fica até, quem sabe, mais bonita.
*palavra intraduzível, né, das mais lindamente autológicas que existem.
Sunday, November 28, 2010
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5 comments:
"proximidade dos artistas do seu auge criativo, presença exigida de todos os membros da formação original, inclusive dos que nunca acrescentaram nada musicalmente, etc)"
O engraçado é que coisas como está que você disse, básica, banal e óbvia,raramente são ditas na imprensa. Imagino um mundo inteiro destruído se uma frase como a sua fosse publicada, sei lá, na rolling stone.
Pavement também é minha banda preferida de todos os tempos.e dá bola pra eles não. billy corgan tem voz de bichinha e cria riffs bregas. :)
curto type slowly bagarai também.
morri, peguem meu XP [significando apreciação desmesurada beirando o embaraçoso etc]
nao nao espera. isso era pro sêo Denner Voltasso, nao pra esse [proxy da firma fez algo com navegador ou é muito cedo]. enfim. fiu-fiu, sêo Denner Voltasso etc.
oxa, elton. só fui ver isso mo tempao depois :~
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