o universo, hojeTIPO CULTURA, ASSIM
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Vendo COISAS desse tipo, parte de mim se assusta genuinamente com o tipo de sofisticação que se desenvolve tão descaradamente em volta de termos tão tímidos, tão finalmente desimportantes. A coisa já se apresenta com toda a complexidade circunstancial de uma Tradição maiúscula, um cânone, com refrações e ecos de segunda e terceira ordem, etc. Como se apenas o fato de nós termos, necessariamente, esse ponto de contato cultural popular tão avassalador, esse cobertor que-tudo-comprende e que nós remete a algum conforto meio quentinho (atualmente: os anos 80, mas vareia, já quase vira os 90) indicasse para muita gente que a recursão e a utilização devidamente esperta dessas referências e subníveis bestas deveriam configurar uma espécie de ato significativo, a articulação de alguma verdade estética, de alguma totalidade, até. É certo que todo o - err - lixo cultural é nosso, e deve ser tratado como nosso, compreendido como nosso vocabulário e paisagem, mas a interação simples desses elementos, re-arranjar de cartas, não tem como dar em nada que seja mais do que engraçado ou curioso. Parece que as pessoas se sentem nas bordas de algo, ao lidar com isso tudo, mas deve ser só uma hipertrofia esquisita, mesmo. É ainda mais deprimente que esse garimpo e revitalização e ressureição de itens e elementos de vinte anos atrás se dê com uma suposta carga negativa e assim-dita irônica. É como se estivéssemos tão profundamente soterrados nos termos desse tipo de cultura que a única sofisticação possível fosse a afirmação negativa de tudo que conseguimos reconhecer como banal e ineficiente, como brega. Todos os acenos de cabeça incessantes. Aquilo que já se considerou tão seriamente O MAL, NA ARTE, agora é a maior área em comum, o ponto de contato imediato, a referência em comum de toda uma geração. Isso tem que ser assustador.

12 comments:
tão triste :~~
um dos melhores (posts) até agora, em certo sentido, e com devidos descontos, e uma promoção de tráfego
eu sempre me sinto parecido quando leio updates do mcsweeney's.
mas já tentei levar allan bloom a sério é não é muito divertido também.
que se há de fazer? i haven't the foggiest.
é a nossa QUEST, há de se aceitar; como VIVER COM O CORAÇÃO numa platéia tão espertinha.
costumo me embalar com o pensamento de que nossa QUEST é mais legal que as de 50 anos atrás -> e aí a recursividade de novo, ubíqua =/
(mas deu sim, uma tristeza)
(lembro-me de 2001, acho, quando amigos esboçáramos um esquema parecido, talvez mais rude; a gente ainda não tinha consciência da fase cujo boss é o Devendra, e que terrível essa diferença, hein)
creize
assustador, como o senso de humor de geral por aí.
assustador, assim como o senso de humor de geral por aí já anda caindo pro sinistro/preocupante. (era eu o anônimo, mas computador ejhbrwwffbb)
POIS É
(eu nunca sei responder comentários, mas parece maleducado ficar calado)
não fique, moleque. faça um bocado de comentários, também. tipow quasiposts aqui
não fique o q?
calado
cadê o post (sobre o nosso amor)
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