Sunday, September 14, 2008

good old neon
-

A última peça de ficção dele que me faltava pra ler eu comecei a ler nessa sexta-feira de tarde. A novela do final da primeira coletânea de histórias, Westward etc, a que fica brincando com Lost in the Funhouse o tempo todo. E diante de alguma daquelas luzinhas que ele acendia a cada cinco minutos ni mim (coisas geralmente pequenas, até, às vezes apenas descrição bem feita,) eu senti uma gratidão genuína e, sei lá, quentinha. Dele existir, dele estar lá como parte real e verificável dos fatos que compõem o mundo. Eu sei que parece forçado, mas foi basicamente isso. E isso provavelmente aconteceu algumas horas antes dele se matar, a última oportunidade que eu teria de sentir isso.

E agora tenho que terminar a história com algo bem diferente revolvendo no estômago.

-

Já estão postas em ação todas as carpideiras de blog, e artigos honestos aí de gente sentida, e resumos críticos, e a lista de emails sobre se enche de relatos emocionados.

Eu li todos que consegui achar e vou continuar lendo a noite toda, e não é - como costuma ser o caso- porque me interesso de ver como as pessoas reagem a morte de um escritor, como a crítica se posicona e como uma cultura se acomoda depois de um choque.

Eu estou lendo porque eu estou muito triste e quero me conectar com gente que também está muito triste. Triste pela tristeza e a solidão desse cara, que eu nem começo a conseguir imaginar. Eu estou fisicamente triste - meu corpo está pesado. E não vou falar criticamente sobre o que ele escreveu. Este post é sobre mim. Vocês podem falar aí, e até acho bacana, mas pra mim seria indecente, seria como ir no enterro de um amigo e comentar depois que "ah, mas ele falava meio alto quando ficava bêbado, né?".

Emotícones de tristeza estão me parecendo vergonhosos, e trocadilhos, e também isso aqui.

3 comments:

Adrian, acho said...

Parece que muita gente lembrou de mim, quando soube da notícia. Meu primeiro pensamento foi como você estaria.

My heart goes out, você sabe.

Gustavo said...

A morte dele, pra mim, transformou a internet num enterro de estranho, sabe? Fico desconfortável de entrar num dos milhões de blogs que assino pra dizer qualquer coisa, mas deve ser falta de educação sair do enterro sem dizer nenhuma palavrinha, como se minha intenção fosse mera curiosidade.

Meus pêsames, então. Foram as mãos, mas que fiquem as luvas, essas coisas. Mesmo.

andreis passarinho said...

pois é, pois é. valeu o/