Cultura ! ! ! ! ! ! !
Barth-
Borges é grande literatura sem o esforço, os efeitos e sentidos já descritos e expostos pra nós, os caminhos invertidos. Isso que o McLuhan diz que o Poe inventou (mais ou menos), e até um pouco como o kitsch que o Greenberg descreve. É uma imitação de literatura, opera em níveis que ninguém sabia que podiam ser operados tão bem até que o velhinho os acenasse. Como os seus Chesterton e Carlye, ele escreve ensaios quando vai escrever ficção (pena que só o Carlye fazia isso conscientemente*). Mas a originalidade dele é uma situação complicada. Ele achou uns loopholes e foi bastante eloqüente sobre o que encontrou, sim, mas difícil chamá-lo de gênio, eu acho. Ele tinha, sim, um tremendo bom gosto. Ele é um amigão, um bróder das literaturas. Calvino, sim, é um gênio. É um Borges mais consciente e mais esforçado. Ele não é necessariamente mais divertido (Borges é dos que mais traz gente pra literatura, foi dos que me trouxe), mas é operador mais habilidoso criativo e forte da confusão toda de ficção pósmoderna, antes, você sabe, que ela se pesasse com viadagens tantas.
E daí o Barth! Tudo isso pra falar dele. Barth é o que o mundo d’hoje (de cinqüenta anos atrás) faz de um Calvino menos talentoso. Tem uma imaginação falha e pouco bacana, pouco amigável (que eu gosto de imaginar que é culpa também do mundo, e não só dele mesmo). É uma versão bem inferior dos seus mestres ali de cima, talvez por ter feito o caminho inverso dos dois, um caminho artificial e pouco inocente. Calvino e Borges foram os últimos filhos de uma cultura que hoje já é impossível, que já era estrangeira a um americano quase contemporâneo aos dois. Quando Barth enche a boca de contos de fada e coisas do tipo ele está assumindo uma pose, e isso fica óbvio. Por isso não consegue dar vida de verdade à algumas de suas tentativas. Ele parece estar em pernas-de-pau boa parte do tempo.
(Coover fazendo a mesma coisa com cinema soa muito mais natural, por exemplo. Talvez fosse essa a direção que ele devia ter tomado)
Mas com Lost in the Funhouse ele achou um nicho que pudesse insistir, e a exaustãodeautosconsciência, por mais cansativa que seja, tem uns momentos bem honestos e diretos, com uma força meio difícil de não se reconhecer. Só é um pouco difícil acreditar que alguém poderia se importar de verdade com tudo aquilo. Além de escritores de ficção, né, além do cara do Bookworm.
*(zoei)
LitBrasCont!
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Sérgio Sant’anna é divertido, talvez melhor que Campos de Carvalho. Pena que o livro dele é caro. Só leio em pé entre estantes lá na cultura. João Paulo Cuenca (Cuenca!) e Santiago Nazarian (Santiago!) são incompetentes em todas as direções possíveis. Inofensivos e inócuos de tão, tão ruins.
Dicta & Contradicta é exatamente o que você espera dela, o que quer que isso seja. Tolentino pesa por cima de tudo (como a sua tag no site deles demonstra)
Como tanta coisa, esse blog é estritamente desnecessário. Vai se produzindo sem nada por trás, matéria morta. Como Brendan Fraser, como bonequinhos do Pica-Pau de beira de estrada. E no entanto.

7 comments:
1)Borges é realmente muito fácil. É complicado chamá-lo de gênio, é complicado amá-lo - mas eu não tenho opinião sobre isso não. Só uma intolerância profunda a quem lê e não gosta, como pode, aquilo ali é pra TODO MUNDO, minha vó, peguet's, transeuntes.
2) Um amigo diz que Calvino parece feito sob medida pro mestrado das senhoras. Pois então. Não é assim tão errado, mas ah.
3)Cuenca, uuuuuuuuuuuuu
trirrafael:
"2) Um amigo diz que Calvino parece feito sob medida pro mestrado das senhoras"
pra que mentir, cara, vc que acabou de ler no soaressilva que uma senhora lendo Seis Propostas para o Próximo Milênio indica "uma reles necessidade acadêmica bocamoca" e adaptou ae pra efeito de comentário. malandrage
qua! é mesmo!
não,mas não. tô lendo agora.
nem acusou de verdade, né? e eu me justifico, malz ae
seis propostas etc é legal, sim. o fato de neguinho ler nas boboquices não importa nada.
(seumviajante é mestrado das senhoras, mesmo, e esses mestrados caem pelas calças do mundo. mas o resto não, o resto é tr00)
quem que é você, anônimo?
ninguém me conhece, nao blogo.
tô brincando. o anônimo sou eu. : )
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