(...) (uma parte séria que eu não posto)
Agora adiante, vijogueime. Gente que diz a sério que é uma narrativa potencialmente superior porque interativa não distingue o seu cu de um buraco no chão. Atiradores de primeira pessoa* (por exemplo) costumam funcionar com historinhas bem tradicionais, mas completamente incapazes de qualquer efetividade. Eu consigo me importar até com aquela aberração que é Starship Troopers, com novela, com o meu cobertor, mas não com pessoinhas de jogo. Isso é freqüentemente admitido de formas diferentes, como se faz com pornografia, ninguém tá nem aí.
O tipo de interatividade de videogame tende a reduzir qualquer significado que não colabore com a dinâmica principal da parada, com suas primeiras diretrizes, sempre imediatas. Lá dentro o que importa são as conseqüências plásticas das coisas, o potencial estético assim óbvio, apenas. Fora a necessidade eventual de imersão, de pesar a situação em alguma realidade que liguem botões não tão complicados de grandeza, a importância de uma caixa de madeira e uma garrafa está em como elas se estilhaçam ao serem fuziladas. O que é previsível. Entrando num meio razoavelmente opaco de significado, toda importância se reduz aos termos mais imediatos de satisfação que eles possam proporcionar. É meio que se aproximar das calças de uma pessoa moralmente e metafisicamente burra**. Andar um mundo onde as coisas até brilham de vez em quando, até explodem, mas finalmente não importam.
(Talvez eu fosse apenas uma criança esquisita, mas eu me lembro de uma pontadinha perturbadora ao sair andando por aí em Goldeneye por um pedaço do mapa já tornado irrelevante pelo progresso dos objetivos, correndo na neve contra uma parede invisível e tendo o tipo de crise que neguinho sempre teve aí pela vida, que francês do século vinte parece ter na vida real. Arte anda sendo feita em volta disso, provavelmente mal feita)
Daí que é muito legal, e muito divertido, mas um tendão aqui se puxa e se assusta, às vezes.
*levanto a voz*
Mas aí que o mundo do Mario (por exemplo) se reduz às suas estruturas essenciais, se alinha todo nas diretrizes de diversão do jogo, tudo é abertamente funcional e abertamente intrumentalizado, um cano verde é apenas aquilo que você vê, não há um travesti do mundo acontecendo ali. O Mario não está nunca morrendo e todo mundo sabe disso, ele mal existe. E Mario Galaxy chega o mais próximo possível de um jogo abstrato. Como em alguns modernistas da primeira geração, a existência de figuras reconhecíveis é uma formalidade, o que importa é a interação bonitinha de formas. Muito bonitinha.
Ou seja,
GTA é o teu cu. Sou um homem sério.
*me sinto tão chique evitando falar FPS. Tão, assim, português.
**a palavra é essa.

14 comments:
Whadabout Final Fantasy? Ali sim há apego e talz. Digo logo.
E entre Mário e Sonic, fico com o ouriço. E digo isso só pra criar confusão.
tu é burro de não achar gta massa. até posso aceitar que mario seja melhor, mas no teu cu que gta é ruim,
beijos
nunca fui de final fantasy. por acidente, não por escolha.
o sonic é mais espertalhão, né, eu também preferia na juventude. mas tentou ser versão moderninha do mario, ficou muito anos 90.
e burro é tu, pará.
texto MASSA. posta também a parte séria, porra. será sobre MMOs se tornando um problema social no ocidente?
(isso só anos depois do japão. mas problema social no japão não tem relevância, o próprio japão é ele mesmo um problema social insocorrível.)
eu ia vir reclamar que a verdadeira potencialidade narrativa do videogame está não no singleplayer narrativo, e sim no multiplayer humano, mas como sua análise sóbria incisiva só despertou até agora reações apaixonadas e emputecidas, vou me alinhar incondicionalmente a vc. conclusão brilhante a do supermario. está demonstrado pq gta3 é um jogo pretensioso que nasceu defasado e não tem lugar ao lado do bombeiro gordinho no panteão do videogame.
aliás, aqui aquele noir que eu tinha falado, com o humphrey bogart e a lauren bacall (1947), cujos primeiros 40 minutos são filmados em 1a pessoa: http://www.imdb.com/title/tt0039302/
opa, fiz besteira. aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Red_Light_Center
e eu quero assistir esse: http://www.imdb.com/title/tt0039545/
valeu ^^
eu lembro de tu falar do filme (e aliás isso já faz tipo um ano). isso é assistível como?
mas é real, o potencial tá em multiplayer humano. eu ia até falar disso, de day of defeat, de tentar IMPOR sentido em galera retardada, mas deu preguiça.
e não arrisco a falar do oriente porque eles estão tipo novecentos passos a frente em perversidade e desespero.
POxa, nãondevia ter deixado para ler isso depois. Agora você já passou para outro posto =P
mas de qualquer maneira, só para que fique registrado, o gringo que cresceu jogando SIERRA, DISCORDA. Mas talvez na parte séria, você fale de tempos melhores.
e, vini, Language! Do jeito que tá, um pouco mais e você tá parecendo olavete. Tome tenência, confrade!
foi muito tiozão da minha parte ter que procurar o que era MMO na wikipedia?
ou o joão manoel é doente mesmo?
não, foi tiozão. eu nem tenho console há duas gerações e sei.
é, né? eu reli depois e percebi que tava tentando ser ALGUÉM QUE NÃO SOU, falando palavrão. olha só.
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