Friday, October 12, 2007

Esclarecimentos gerais sobre o quê que a gente pode matar, e em quais circunstâncias
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Ninguém perguntou, mas aqui está.

Não temos nunca direito de matar: macaco que parece inteligente, golfinho e elefante.
Nem pra se defender. Se um golfinho tenta te matar, você deixa.

O resto tudo depende das circunstâncias. Ser humano, assim, que pensa e cresce bigode e não deixa o Arnaldo Jabor manipular, não pode quase nunca. Mesmo sendo muito mau, muito feio. Quando der vontade de matar, pensa nele como sendo o Rick Moranis, confuso diante de tudo, que a vontade passa.

Às vezes um deles vem correndo com faca, ou tem guerra, essas coisas. Aí complica, aí vocês se entendam que eu não sei (ninguém nunca veio correndo com faca na minha direção).

De cara, não é legal matar baleia e nem lula, nem coisas esquisitas do fundo do mar em geral, mas dá pra imaginar situações onde é pra matar, porque é mais bonito. Mas só se for com arpão, com grande dificuldade pro nosso lado, com vários simbolismos se entendendo aqui e ali. No final todos se entreolham, em silêncio, em respeito, significando muitão.

Inseto pode matar sempre que for inconveniente, e aqueles muito pequenos (tão pequenos que não se sente o corpo deles ceder, ao esmagá-los, e nem se ouve nada) pode-se matar a qualquer hora, sem qualquer motivo.

Pássaros são nossos inimigos, podemos sempre matar pássaros. Sempre que se mata um pássaro, você está dizendo "voa agora, filhadaputa" em nome da humanidade, e ganhamos um pontinho.

Idealmente não se matam gatos, mas é uma questão de elegância, de cortesia com o universo, no fundo eles são vazios. Você está apenas sujando a si mesmo, ao matar um gato. O que não deixa de ser extremamente indesejável.

Mata-se cachorro malvado, nunca se mata um cachorro amigão (e nem nunca vai ser necessário matar um cachorro amigão).

Peixe pode matar sempre, e de qualquer maneira imaginável. Não há, não pode haver, crueldade com um peixe.

Boi e porco você mata para comer, e de maneira limpa e simpática. Ele está sendo cortês em te oferecer as delícias dele, não custa nada ser simpático de volta.

Há alguma espécie de regra geral sobre matar mamíferos. Ela nunca se enuncia, ela corre contra os limites todos aí da linguagem, mas se ilumina em luzinha na sua cabeça (em um canto especial, até então inobservado) quando algum dia se levanta malandrão, requisitando de ti a tua alma.

27 comments:

Anonymous said...

PRO-CHOICE!

mr. parades said...

véi, já falei, antes de matar um animal, deve-se pesar:

1. sabor
2. proximidade genética com a gente (são poucos os mamíferos matáveis (tirando os gostosos, que aí não rola de não matar, né, rapeize?)(e matar macaco, mesmo que burro, é homicídio, qualé))
3. brodagem
4. inteligência
5. beleza
6. tamanho (pensa bem: rato é mamífero, mas quem se importa?)

Vinícius said...

tu diz isso porque nunca viu um rato morto.

Elton said...

moonstro monstruoso. não há o que dizer, só concordar solenemente ("voa agora, filhadaputa")

Anonymous said...

inverter as posições de inteligência e beleza ae mr. parades.

edu said...

não mata pássaro não ok? vlw

ciceron said...

achei desnecessariamente agressivo com a passarinhada. a cousa de matar passarinho é toda outra.

trevor said...

tá doidão no passarinho, moleque. ok, eles atacam, sempre desnecessariamente e dando susto, e sempre a mim, mas eles cantam, batem as asas e fazem etc. colocou isso aí só em nome do zoar-chocar que eu tô ligado, sem ressalva de águia ou pomba branca ou qualquer coisa.

andreis passarinho said...

mata um passarinho pra você ver. no último segundo de vida eles olham pra você e mandam um 'touché'com os olhos apertadinhos.

izadora said...

c já matou passarinho, vini?
depois eu que não tenho coração.

Elton said...

eu falei do passarinho mas eu nao mataria pasasrinho; é só o lance do "voa agora", eles nao merecem, desdenham.

mariana said...

não pode matar peixe! quanto a passarinhos, eles realmente desdenham e não merecem, mas matar é meio desnecessário. sugiro aleijá-los

mariana said...

tudo bem que peixe respira debaixo d'água, tem muito mais espaço que a gente e às vezes é colorido, mas ele é modesto e amigo

trevor said...

é, izadora, matar bebês e passarinhos é a mesma coisa..........

mr. parades said...

é, o voa agora, filhadaputa foi massa, mas todo mundo sabe que não se mata passarinho. e quanto ao anônimo que sugeriu que eu trocasse inteligência por beleza, proponho que imagine o seguinte:

dois macacos, um bonitão e burro, fica jogando cocô na galera; outro feião, mas que te olha e te ENTENDE.

eu sei que não se mata macaco nunca, mas se os dois estivessem brigando até a morte, qual dos dois que você ajudaria?

reflita

andreis passarinho said...

caralho, nunca tive um post que provocasse tanta discussão na sociedade. eu sou tipo tropa de elite, só que sem especismo.

trevor said...

imaginando aqui o macaco bonitão do pará. tem topete, naturalmente, que nem todo cara bonitão. não consigo me decidir por uniforme de futebol americano ou por uma elegância clássica.

trevor said...

e comentando uns pontos aí:

aleijar passarinho é tipo pior que matar. asa é uma coisa muito delicada, pô, pássaro sem vôo é tipo humano sem amor. já fazer algo com as pernas é tão palha quanto. esses são os únicos membros não-vitais que consigo pensar num passarinho, acho.

mas hein, falando das asas aí, lembrei duma das grandes agonias que tenho, que é imaginar alguém rasgando asa de borboleta (a origem é que rolou algo assim numa história do cascão - ele virou borboleta e as asas dela ficaram amassadas e com rasguinhos pequenos depois de brigar com dois moleques). imagino que tipo pétala da rosa, mas mais fina ainda e a borboleta se debatendo e emitindo uns gemidos agudos demais pra ser ouvidos, mas que sabe que tão lá.

não concordo muito com a lista do pará, mas a coisa de inteligência ou beleza é debatível, mesmo. acho que rola de colocar as duas no mesmo patamar e colocar a soma das duas num critério só; um animal beleza 5 inteligência 8 ganha de um beleza 9 inteligência 3, por exemplo. brincalhão 10 ganha de todos.

e agora imaginando o pará ajudando um dos macacos na briga até a morte. haha.

poesia said...

"pássaro sem vôo é tipo humano sem amor"

edu said...

poesia disse

Mariana said...

Mesmo um gato querido e fofo como este?

http://www.richardpettinger.com/blog/images/cute_kitten.jpg

O Edgar Allan Poe fez mal àquele gato e veja só o que lhe aconteceu.

tiago a. said...

de onde veio esse bando de gente, meu deus? (isso é que dar ler blogs via google reader--tava perdendo o melhor da festa)

Anonymous said...

Trocando golfinho por gato fica perfeito. Sério, troca.

Cristina. said...

Gente, o lance do passarinho foi só para dar uma apimentada no texto. Aposto que esse cara não sabe nem manusear um bodoque.

Daniel said...

Cientistas britânicos devem ter alguma resposta pra isso.
www.lapisraro.com.br/site/blog

BHY said...

Passarinho mudo, vive. Passarinho que canta, morre. Voa agora, filhodaputa! Muito bom esse post, muito bom! Até linkei no blog.
;-)

Flávia Stefani said...

sensacional!