Friday, December 21, 2007

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Elton resenhou o livro do ASS, então também vou brincar de literatura contemporânea brasileira. Assim, ó -:>


Eu queria que o Pelizzari fosse bom, queria com força. Percebe-se por alguns detalhes* que ele tem mais noção que quase toda a galera que sai cagando livro por aí, e eu sempre quero encontrar gente boa nesse Brasilzão. Por isso me entristece tanto o Ovelhas que voam se perdem no céu. O troço é bem, bem mais ou menos. Mesmo considerando que primeiro livro, que um livro ainda de moleque, aparentemente.
E não é que ele não tenha alguma capacidade. Ter ele tem uma pinta mínima pra coisa, um estilo simpático, que corre uns riscos respeitáveis e que se alça em alguma altura, por vezes.
A coisa é que me sinto em uma posição infinitamente confortável pra julgá-lo. Impressão de termos uma carga parecida, um mesmo mundinho imediato de referências. Não só no sentido rróque-anglofilia-quadrinhos-e-geekness, porque isso se divide com meio mundo, mas uma afinidade engraçadinha que até me dá impressão de entender com alguma precisão pra onde ele quer ir 90% do tempo. Não só que ponto ele quer carregar nos contos, mas mesmo os motivos pouco explicáveis por trás de detalhes pequenos de estilo, por trás dos nomes que ele escolhe e os adjetivos que usa. E é uma posição ruim pra ele. Fica exposto demais, coitado. Fico em cima de toda frase, chato pacas. E acaba que a prosa dele, que é simpática, me incomoda mais do que agrada.
Acho que lhe faria bem um amigo que desse peteleco na orelha, que cortasse as tentativas dele pela metade (nada desculpa, caralho, publicar um conto narrado em primeira pessoa por um hamster, e um que consegue ser ainda mais retardado do que a idéia supõe).
Os contos são curtinhos, nenhum personagem chega a ganhar braços e pernas, nenhuma idéia se desenvolve muito. O que seria perfeitamente debowa se o autor tivesse a força que acha que tem, se suas idéias e alegorias fossem tão fortes que resistissem a uma exposição tão crua.
Quase toda referência a influência pelo coitado do Kafka é exagerada, mas eu me arrisco, aqui, que ele tenha feito um estrago no Pelizzari. Não que ele tente exatamente sê-lo, mas há lá aquela mesma pinta (principalmente das Narrativas do Espólio). Ele poderia ter tirado a pala estilística de setenta lugares diferentes, mas o Kafka é uma porra dum sinal luminoso (e, olha, sendo o caso do Pelizzari ou não, ninguém deveria nunca tentar ser o Kafka, sério. Não é legal pra ninguém envolvido)
Mas, se pouca coisa funciona, quase nada chega a ser ruim, boa parte fica num nível agradável. Mesma impressão que tive com o Bernardo Carvalho, que me desapontou de um jeito parecido. No final das contas, melhor tê-los por aí do que não tê-los.

(e, aliás, eu estou sempre disposto a dar outras chances, é só alguém me comprar os outros livros dele, os que não estão de graça na internet)


*conheço stumble, lastfm e o caralho do bróder, mesmo tendo um interesse limitado. Ê doença.

Wednesday, December 19, 2007

A melhor música do ano
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se alguém estiver se perguntando.

Tuesday, December 11, 2007

João gilberto é muito massa
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Tanto que deu vontade de falar sobre, até:
É só comigo que ele às vezes dá impressão estranha de profundidade em letras que não tem ninguna? É uma profundidade falsa, você está - como em paradoxos místicos medíocres - basicamente confuso (com a repetição, sei lá, com o encadeamento engraçadinho de sílabas). Mas não deixa de ser legal, de fazer o truque.

(Mais do que isso e incorro em resenhista medíocre da Pitchfork, no Félix bêbado, então paro)

Agora de saída assim rapidinho ainda desejo feliz natal.
(apostando melancolicamente acá um Complete Calvin & Hobbes que o seu natal será certamente menos legal que o meu, assim como, suponho, devem ser a sua família e a sua vida)
Quanto vale o brasileiro?
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Paulista: 1
Capixaba/Amapaense/Acreano/Rondonense/Roraimense: ?
Sulista (fora as gata) : 2
Df:Natiruts
Matogrossense/Goiano/Paranaense/Alagoano/Baiano/Sergipano/Paraibano/Norte-rio-grandense:3
Piauiense/Maranhense/Cearense/Carioca/Amazonense/Paraense: 4
Tocantinense: não sei
Pernambucano: 5
Mineiro: 6

Critérios? vários. os corretos. sulista faz rock afetado, paulista nunca deu em poeta decente.
Você é mineiro? Não.
Isso significa que é válido sacrificar dois goianos por um mineiro, dois sulistas e meio por um pernambucano? Sim.

Sunday, December 02, 2007

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Tudo bem, corinthiano é, discutivelmente, corinthiano.
Agora imagina, faz favor, o que seria daquelas pessoas - pessoas já incrivelmente, irreversivelmente corinthianas - sem o corinthians? Agilulfos, Qliphoths. Cascas de risco profundo nenhum possível em sua vida de marginalidade e toucas de estivador.
Quem viu os marmanjos todos chorando hoje deveria entender. Não da dignidade na derrota, que os imbecis colunistas vão ficar martelando, mas da dignidade ser possível no corinthiano. E enquanto corinthiano. The Center Cannot Hold, eu sei. Estranho e inesperado, mas aquilo ali, aquilo ali era uns paulistas virando gente.
A primeira transmissão da tv digital no Brasil
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butseriouslynowfolks,

A maior força criativa do Borges era de associar citações e idéias alheias, além de pessoas inteiras, da maneira mais bonita possível (e não da mais precisa). Sair catando tudo da cacetada de coisas que leu pra dar jeito no mundo, que dava de cara com ele (imagino) todo argentino e suadinho. Lembrar de César enquanto em em uma conversa besta no elevador, de desertos enquanto em um café mais-ou-menos de Buenos Aires.
E não é um defeito, uma insuficiência, que a maior força dele venha quase sempre diretamente de outro qualquer. Quase ninguém é bicho-de-seda, e fazer o que ele faz requer uma habilidade do caramba. Acaba que das maiores graças que vejo em lê-lo, hoje, é de perceber isso, e imaginar aquele velhinho simpático vivendo através de Cervantes, Stevenson e Chesterton, de tigres imaginários. É uma seriedade inyrface que acho meio impossível em gente sensata da nossa geração, o que é uma pena. Borges devia ensinar algum tipo de reverência nessa garotada toda*.
De certa forma, mesmo sem saber, estamos todos citando Shakespeare e cia. o tempo inteiro, tudo bem. Mas ele parecia viver isso literalmente, perfazer a vida nisso. Chuto que como Carpeaux (ainda que não chegasse a ter a erudição dele), que praticamente guardou a cultura ocidental toda na sua cabeça pra ver se dava em alguma coisa. Um monstro gago tentando desempenhar mentalmente tudo que se conseguiu até agora e que funciona, tentando ser um exercício de tudo no Brasil.
Daria num personagem trágico tremendo. Acho curioso que Borjão não tenha, até onde li, tomado isso como tema diretamente. Acaba sendo a obra inteira dele, o que talvez seja mais legal.


*eu tenho oficialmente setenta e três anos de idade.

Tuesday, November 27, 2007

's how I roll is all
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Eu gosto de todos filmes do Adam Sandler que já vi, desgosto de quase todos poemas longos que já tentei ler.

Monday, November 26, 2007

Esta certeza, é o tempo Tsur quando é difícil
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Eu entendi o mundo, dia desses. Era noite, e não tardinha, o que me leva a crer que eu poderia estar certo (na real, certamente estava confuso de sono, apenas, mas não deixou de ser divertido)

Tudo de errado e grave se assentava em algum sentido. Tudo de absolutamente irrenconciliável.
Até a morte, até o Cruzeiro fora da libertadores. Até a Coisa Que Não Será Dita e Que Provoca Esse Post.

Tuesday, November 20, 2007

Anna Karenina and Leopard-Walk-Up-To-Dragon
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O mundo insiste, insiste. Acha que me pega, todo malandrão. Através de gente que complica as coisas, que não entende o papel que você percebe, de longe, que elas deveriam desempenhar. Insiste em criar inadvertidamente expectativas que não cumpre, que não teria como cumprir, toda hora. Insiste no vário e no diverso, em todas essas árvores aí, todos os enganos habituais antigos.

E só dá de assistir, claro. De tomar nota calado das tantas coisas que se perdem, aos montes, nos outros. Toda essa gente achando que é tudo novo, que tudo acontece com eles pela primeira vez, que não sabe o que fazer.

_(*_*)'\

(Andreis Passarinho se preocupando com as pessoas)

E mais,

olha, se você realmente insiste em fazer da sua vida uma empreitada estética, ao menos empreste os modelos dos lugares corretos. Vá atrás do clássicos (tomando o cuidado habitual de toda pessoa de bem com a afetação, com alemões e alemoas), vá atrás de realizar sua vida vazia em formas que resistam um tantinho de nada ao ridículo.
Você vai estar vivendo edições martin claret de coisas maiores (ou até, caramba, vivendo alguma espécie de fan fiction, Hamlet na praia, Hamlet e o caso do colar amaldiçoado.), mas poderia ser pior. Tem gente que tenta ser o Cazuza.

Sunday, November 11, 2007

I don't wanna get over You, I rather be a pagan su-ckled in a creed outworn, and and not have to go through what I go through
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Eu sou tão, tão óbvio. Tenho a complexidade e a previsiblidade de um desses filmes, de um sitcom. Os desenvolvimentozinhos que rolam aqui dentro são ridículos, punchlines que eu antecipo meses antes.
As expectativas se criam da mesma forma inevitável do Tom Hanks ficar com a Meg Ryan, do Joey voltar da porta que ele acabou de fechar para pegar o sanduíche que deixou em cima da mesa. Fico só esperando as coisas se realizarem da forma esperada. É meio entediante e simples demais, acho que não acreditaria
em mim, se me lesse em algum lugar.




Monday, November 05, 2007

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Qualquer coisa feita por gente, de uma cadeira de balanço até Guerra e Paz, de uma imitação do Robert Deniro até o ministério da agricultura, tudo divide importância de um jeito bem maleável.
Na verdade, de um jeito perfeitamente maleável, decidi agora. Escreve aí.
Tanta gravidade consegue se tirar do - digamos - jeito tímido de um estranho de bigodinho te acenar na rua para atravessar a faixa de pedestre. Preencheria, talvez não o mundo, mas certamente Goiás, Tocantins, até um pedacinho do Maranhão.

Thursday, November 01, 2007

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Olha que eu tou me segurando pra não fazer um post absolutamente desnecessário sobre o radiohead. Mas desnecessário mesmo, assim, e irrelevante até o máximo, tipo um daqueles programas resumão-de-carreira. Falando de como é bacana por isso e por isso, e daí Ok Computer, daí Kid A, e olha só-mãe-sem-gravadora-agora, etc. Mas eu me segurei.
Pode só falar que é muito massa? É muito massa.
I hate conservatives, but I really fucking hate liberals
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South Park é um desenho tão infinitamente superior a todo esse resto aí que dá até vergonha. Eles conseguem se safar de moralismo, de pregação, até. Fingem que vão ser irônicos quando vão falar perfeitamente sério. É bem espertinho, no fundo. E ainda conseguem estar certos na maior parte do tempo. Verdade que não é engraçado-engraçado o tempo todo, mas geralmente algo salva o episódio. Eles criaram um tom muito apropriado pacas, e são terrivelmente íntegros com a coisa, mais do que se imaginaria possível. Sempre constrangedor chamar um programa de tv de corajoso, mas olha eu aqui chamando ó.

Tuesday, October 30, 2007

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2014. Todo o resto desimporta. Tudo se tornará um. A tartaruga filipina virá ao lago paranoá anunciar a um craque ainda garoto que o destino dele é levar a seleção à vitória. Algum jogador da seleção revelar-se-á um avatar de Vishnu, durante uma partida. Umas cinco religiões se provarão corretas ao mesmo tempo. O Mané Garrincha hospedará centenas de milhares de pessoas. Pelé morrerá em um estoiro que vai espalhar a força em todos os bebês que estiverem em gestação. Vágner Love fará, enfim, sentido.

Thursday, October 25, 2007

23/10/2007
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Alan Ellis, we will never forget.

Wednesday, October 24, 2007

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Suplicy - a resposta dada pelo vento (
2009, Brasil, drama, 165 min, dir: Zelito Viana, com Cristopher Walken, Supla, Angélica)
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A minha dificuldade com música séria é parecida com a do Nabokov, uma insistência em procurar um tipo de linguagem que não se acha ali, e daí se interessar mais pelos caras tocando a música, e a figura infalivelmente engraçada que eles oferecem, o nariz deles, inventar vidinhas, etc.

O que seria uma falha bem aceitável, se a minha cabeça se desconcentrasse com a elegância da dele, conseguindo descrever narizes (e não só narizes, imagine só, todo tipo de coisa, manchas de água e borboletas e todo tipo imaginável de russo) de um jeito que traz cóceguinhas n'alma de todo mundo.

Mas não, tudo que faço é imaginar situações de desenho animado, inventar letras retardadas pros trechos mais assoviáveis das melodias que se percebem de vez em quando (e não, "retardadas" não é exagero, não é possível um exagero para o que acontece aqui dentro às vezes) , insisto em coisas absolutamente gratuitas.

Ele dizia que pensava como um gênio, escrevia como um autor distinto e falava como uma criança. Eu penso como uma criança.

(último quadro sem elementos de cenário, fundo branco, cara frustrada e raiozinho quebrado emanando da minha cabeça, calvin-like-sigh)

Monday, October 22, 2007

Andreis Passarinho em: uma aventura resumida pelo mundo da linguagem e o que ele encontrou por lá
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Linguagem, assim, na minha opinião, por exemplo, fica derrubando a gente com bandas e petelecos, na maior parte do tempo.

Olhamos pro mistério ali nas palavras, nos golpes de caratê que elas inventam, nos cumprimentando e trocando charutos, entendemos aquilo como o mistério de outras coisas.

Daí concordamos em uma seriedade máxima (47%) a ser carregada a todo momento, pela rua e pelos rosais públicos.

Daí (não por isso) não adianta nada. Exceto levar bandão e cair como se soubesse o que está acontecendo. O que não é nada, não é nem perto de ser perto o bastante.

Como quem, caído, fala: grandes merda.

Tuesday, October 16, 2007

Alliteration does more than candor can to justify God's way to man
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Ai minhas bolas esses caras. Andam aí dizendo que preferem aliteração a candor, e dando risadinhas ao escrever essas coisas. São todos gordinhos, eu aposto. Tem dedos cotocos.

O Gass (da frase) não é o melhor dos exemplos, ele é genuinamente bacana pra caralho em várias coisas. Mas até que serve também. Em quase toda essa gente que se recusa a ver o Bem, a qualquer custo, mesmo quando ele veste a cueca pra fora das calças, vê-se uma falta específica de senso do ridículo.

Não finjo que entendo bem a relação, mas os dois andam juntos. Uma seriedade esquisita, mal direcionada. Mesmo quando eles são, como eles mesmo dizem, irreverentes, eles o são dum jeito solene, perfunctório. Ah, tem um negócio ali, deixa eu ser irreverente, rapidão, hein, opa.

Aí minha cabeça faz o que sempre faz: tenta entender, se cansa e decide que todo mundo que não concorda comigo é meio viadinho*.


*ia falar o notthathere'sanythingwrongwiththat, mas poxa, em algum ponto alguém tem que iniciar uma campanha oficial de desprendimento de 'viadagem' do sentido aí mais estrito. Porque não haverá palavra para substituí-la quando eles a tirarem de nós. E eu preciso dela, véi.

Friday, October 12, 2007

Esclarecimentos gerais sobre o quê que a gente pode matar, e em quais circunstâncias
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Ninguém perguntou, mas aqui está.

Não temos nunca direito de matar: macaco que parece inteligente, golfinho e elefante.
Nem pra se defender. Se um golfinho tenta te matar, você deixa.

O resto tudo depende das circunstâncias. Ser humano, assim, que pensa e cresce bigode e não deixa o Arnaldo Jabor manipular, não pode quase nunca. Mesmo sendo muito mau, muito feio. Quando der vontade de matar, pensa nele como sendo o Rick Moranis, confuso diante de tudo, que a vontade passa.

Às vezes um deles vem correndo com faca, ou tem guerra, essas coisas. Aí complica, aí vocês se entendam que eu não sei (ninguém nunca veio correndo com faca na minha direção).

De cara, não é legal matar baleia e nem lula, nem coisas esquisitas do fundo do mar em geral, mas dá pra imaginar situações onde é pra matar, porque é mais bonito. Mas só se for com arpão, com grande dificuldade pro nosso lado, com vários simbolismos se entendendo aqui e ali. No final todos se entreolham, em silêncio, em respeito, significando muitão.

Inseto pode matar sempre que for inconveniente, e aqueles muito pequenos (tão pequenos que não se sente o corpo deles ceder, ao esmagá-los, e nem se ouve nada) pode-se matar a qualquer hora, sem qualquer motivo.

Pássaros são nossos inimigos, podemos sempre matar pássaros. Sempre que se mata um pássaro, você está dizendo "voa agora, filhadaputa" em nome da humanidade, e ganhamos um pontinho.

Idealmente não se matam gatos, mas é uma questão de elegância, de cortesia com o universo, no fundo eles são vazios. Você está apenas sujando a si mesmo, ao matar um gato. O que não deixa de ser extremamente indesejável.

Mata-se cachorro malvado, nunca se mata um cachorro amigão (e nem nunca vai ser necessário matar um cachorro amigão).

Peixe pode matar sempre, e de qualquer maneira imaginável. Não há, não pode haver, crueldade com um peixe.

Boi e porco você mata para comer, e de maneira limpa e simpática. Ele está sendo cortês em te oferecer as delícias dele, não custa nada ser simpático de volta.

Há alguma espécie de regra geral sobre matar mamíferos. Ela nunca se enuncia, ela corre contra os limites todos aí da linguagem, mas se ilumina em luzinha na sua cabeça (em um canto especial, até então inobservado) quando algum dia se levanta malandrão, requisitando de ti a tua alma.

Monday, October 08, 2007

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Pois então, fazer disso um blog abrangente e tudo, cobrindo um canto que me escapava (e por fazer questão, né, já que não há como não ser de interesse). Mulher é uma grande duma porra duma formidável lição em humildade.
E tanto, que mesmo tomando parte dela de longe, de canto de olho, de olho baixo, como faço quase exclusivamente, o efeito é assustador.

Saturday, October 06, 2007

Songs of Al Pacino and Adam Sandler (com agradecimentos à minha mãe)
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Não posto só pela gracinha. Álbumzão.

Wednesday, September 26, 2007

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Nem a religiosa não aceito, a única suspensão moral válida é futebolística. Único sofrimento humano que não merece compaixão - que é necessário, e bom - é o corinthiano.

Sunday, September 02, 2007

A minha cabeça
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I believe in those sequential rows, Parmenides; but these?!

Tuesday, August 28, 2007

Generally, even then, I was lonely
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"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os companheiros de espírito?"
(p'ssoa)

Rapaz, às vezes não há nem boguses o bastante.

Thursday, August 23, 2007

Kierkegaard is seriously unimpressed
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"The self cannot be escaped, but it can be, with ingenuity and hard work, distracted. There are always openings, if you can find them, there is always something to do. "
(Barthelme em Daumier)

O Barthelme fala essas coisas e é bonito e funciona pra caralho, mas seria mais difícil gostar tanto dele se ele não entendesse tão bem as falhas por trás das gracinhas que faz, se o tom não mantivesse espaço pra sentar e falar sério agora.
Como que alguém consegue ser tão irônico e não acabar impotente (até irresponsável) diante das coisas verdadeiramente importantes eu não entendo. Mas oh, rapaz, como consegue.

"Because that is not what I think at all. We have to do here with my own irony. Because of course Kierkegaard was "fair" to Schlegel. In making a statement to the contrary I am attempting to ... I might have several purposes - simply being provocative, for example. But mostly I am trying to annihilate Kierkegaard in order to deal with his disapproval.
Q:Of Schlegel?
A:Of me. "

Essa última frase falada pelo Ed Harris, de barba engraçada e óculos inteligentes, sério como cancro, em um clipe curtinho no telão do teatro Kodak, ao ser anunciada a sua indicação pro Globo de Ouro.

Sunday, August 19, 2007

See The Moon? It Hates us
(em forma de continho)

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Era uma festa (as pessoas até dançavam). Quantidades astronômicas de diversão a serem processadas, quantidades histéricas. Tudo informado por algum exagero, tipo oh, isso é tão divertido, essa música, a maneira como tiro um guardanapo de dentro do plástico, as minhas calças.

Eu, inclusive, dançava, ou fazia o possível nessa direção.

Uma menina particularmente bonita estava no meio de nós, e parecia impossível que houvesse uma menina bonita que eu não conhecesse. Não que eu tenha um conhecimento em especial compreensivo de meninas bonitas, mas os círculos de pessoas nunca se estendem muito além de um terreno reconhecível, quando não sabemos os nomes, sabemos as caras, os perfis na internet, em quantas pessoas nos ligamos até elas, temos já nossas reservas por motivos pequenos, importantes.

Todos nós cantávamos as músicas, escolhidas e aprovadas de uma maneira quase democrática a todo momento.

Eu não tento escolher nenhuma, certo de que todos olhariam para mim Como Você Ousa Escolher Isso, etc.

A menina bonita também cantava, mas cantava diferente. Não imitando a sonoridade, fazendo ao invés questão de enunciar as palavras da letra corretamente. Isso sobre imitar a maneira de quem-quer-que-seja de cantá-las. Com os olhos fechados de quem sente necessidade de enunciá-las, porque importantes. Eu decido que ela é a minha pessoa favorita do mundo.

Eu sou o tipo de retardado que fica percebendo essas coisas, em festas, e as enunciando para mim mesmo. Quando não as percebo, invento. Aquele rapaz finge beber com a mesma intensidade da garota mas quer que ela fique bêbada antes, eu concluo, baseado em porra nenhuma. Melhoro os diálogos que não consigo escutar, daqueles no fundo da sala.

Pessoas caem no chão, reforçando a idéia de que diversão está se dando em intensidade inimaginável. Aqueles caídos entendem, fazem o possível para continuar o seu desempenho. Alguns levantam de forma fantástica, outros continuam caídos indefinidamente, sem saber como sair da situação graciosamente. São pisoteados, e tudo mais.

Os mais talentosos desenvolvem as lógicas internas necessárias dentro dos núcleos dos quais fazem parte, os responsáveis por piadas internas que com esperança poderão ser lembradas no futuro, referências que substituam intimidade.

Eu consigo lograr uma, acho.


-Nunca experimentei bolo, decidi que tinha nojo quando moleque e agora tenho medo de experimentar e estar desistindo de uma parte essencial da minha personalidade, ou algo.
-Mesmo motivo pelo qual você não beija homens?
Ele sorri antes de responder:
-Tipo isso.


A menina continua existindo pra caralho. Estamos todos bem dispostos e aceitando músicas de todo tipo. Eu finjo que gosto de algumas, imponho umas linhas aqui e ali. Para a maioria, qualquer música é aceitável, apenas necessário achar a forma correta de entendê-la. Tento mostrar pra menina que estou dançando ironicamente uma delas, falando alguma coisa retardada, e ela reage da forma mais indefinida possível. Possivelmente está barulhento demais para manutenção de mais de um nível, percebo. Mesmo para níveis desse tipo.

Atrás de um absoluto, executo a dança do robô (gloriosamente, graças a um tutorial do youtube).


Alguém tenta me contar alguma coisa que se demonstra impossivelmente complicada, continuo sorrindo (o tom é de uma anedota engraçada) e olhando para a pessoa até que a história acabe. Em laranjas, em um professor estrangeiro de cálculo e alguma relação inusistada entre os dois. Estou tão longe de entender o que está acontecendo que não preciso me forçar a gargalhar junto com todo mundo.


A maioria delas desempenha tanta coisa e carrega tanta coisa nelas mesmas que é preciso apertar os olhos feito míope, esforçar-se para ver uma pessoa através. Lembrar que ela é provavelmente infeliz.

E no entanto umas não, umas nunca deixam de sê-lo, sem que você precise se esforçar. O são dolorosamente. Você as acompanha durante a noite, triste de não ser possível juntá-las em um grupo só. Notadamente a menina. Sobre quem você calcula tanta coisa. O efeito da piada interna estabelecida, a fertilidade potencial para futuras, infinitas, que tudo expliquem ou pareçam explicar.


Alguém parece contemplativo por um instante, até um flash denunciar ser uma pose para uma foto envolvendo outra pessoa, que em outro plano segurava uma garrafa de cerveja em posição sugestiva. Diversão documentada e prontos para prosseguir.

-Não é isso, eu sei que é palha neguinho morrer. Ainda mais trinta e poucos. Mas eu não sinto, saca? Toda morte parece impossível pra mim.
-Tô ligado.
-Principalmente a minha, né. Eu morrer é tipo o Homer Simpson morrer.
Na primeira vez é engraçado. Aí horas depois você ouve a pessoa repetir aquilo quase palavra-por-palavra. É evidente, e tudo mais, mas é sempre triste quando se evidencia com tanta força, a falta de espontaneidade geral, a impossibilidade de qualquer coisa espontânea.
(E não é como se fosse um crime gravíssimo, você sabe, sabe que provavelmente comete faltas parecidas sem perceber, mas ainda assim, ainda assim bebês e mulheres bonitas desaparecem silenciosamente em algum lugar, coisas perdem o efeito)


Decide-se informalmente que lá fora é onde se dorme, nas cadeiras de plástico. Apesar do frio, da chuva que nunca toma forma de chuva o bastante para que casacos e celulares sejam retirados.

Percebo que a menina juntou-se a nós, aos que dormem ou fingem dormir (eu sendo, até onde sei, o único membro do segundo grupo). Está escuro e longe o bastante para que não seja possível dizê-la acordada ou não, percebendo-me observá-la (e apropriadamente me achando assustador) ou não. A cara dela está escura, inexpressiva. Eu desisto.

Lembro-me de procurar pela lua, mas isso significaria me denunciar acordado, demonstrar-me ridículo, olhar de novo para ela até que me seja perguntado de uma cara no escuro para o que é que estou olhando (imagino isso sobre a garota, mas percebo razoavelmente transferível para a lua. em tudo isso nos desperdiçamos).

O vento dança a toalha devagar demais. Ele gira os copos de plástico sujos em círculos que nunca se formam inteiros, que mudam de direção como se de idéia (eu sei disso tudo apesar dos olhos fechados). Tudo se move como algo quase sendo dito.

Que ao menos a noite acabasse aqui, e não em um elevador, no caminho até o carro, na volta até a minha casa. Que eu já imagino, que eu já prefiguro absolutamente inexequível e que sei que na hora vai se dar do mesmo jeito que tudo se dá. A maneira desimportante e desapercebida que todo instante tem de carregar a si mesmo.

Tuesday, July 17, 2007

George Eliot
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A inteligência moral mais completa que já vi. Ela se importa naqueles pontos onde os ingleses costumam apontar e rir, mostra e explica a urgência e a bobagem das nossas tentativas bestas todas. Nunca desanda, nunca faz concessões.
O Tolstói acha que entende onde ela entende de verdade, sabe que deveria se importar onde ela se importa de verdade.
Talvez se não tivesse a barba e o par de bolas de conde, se não acreditasse em Deus. Costumo achar crença em Deus uma qualidade, um membro que me falta, mas é meio palha acreditar em Deus como o Tolstói acredita, se confundindo com Ele no espelho, de manhã cedo.
De toda a garotada aí que fica na praça tentando convencer todo mundo que 'ah, mas nem precisa de Deus pra isso e aquilo', ela é a que chega mais perto.
O que é sempre necessário por aqui, né, sempre apreciado pelo meu tipinho rabugento, que duvida e cruza os braços.

Versão curta: Como o homem-aranha quando era moleque, ela me faz querer ser uma pessoa melhor.
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She had a low forehead, a dull grey eye, a vast pendulous nose, a huge mouth full of uneven teeth and a chin and jawbone 'qui n'en finissent pas'... Now in this vast ugliness resides a most powerful beauty which, in a very few minutes, steals forth and charms the mind, so that you end, as I ended, in falling in love with her. Yes, behold me in love with this great horse-faced bluestocking.

mil anos que li a mina, tudo issaí foi desculpa pra postar o trechinho (L) do h james (stumble do elton)



Monday, June 04, 2007

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Estas coisas estão aqui. Afirmam-se como todo o resto. A luz da lâmpada esquisita projetada na parede, que se parece com tecido morto visto em microscópio. Uma revista semanal antiga com um escândalo intensamente irrelevante. Eu tinha que olhar pra eles e entendê-los.
Era meu trabalho, agora que todos haviam abandonado o seu posto devido (até você). Ninguém mais fazia o que lhe era certo, restando tudo para mim. Era tudo muito cansativo.
Esses exemplos não são muito bons, mas era o que me ofereciam na hora, e eu sou maior honesto. Poderia pegar qualquer outra coisa, como um urso, um senador da república, mas não.
Você dormiu vendo televisão, mas mantinha uma cara preocupada que funcionava junto ao noticiário, tornava-se engraçada quando vinha o comercial, configurando maior urgência à dona de casa e sua mancha seca de ketchup.
Lá fora, cavalos tentam andar nas copas das árvores. O que os deixa mais ou menos na nossa altura, no terceiro (quarto?) andar.
A dificuldade era digna, os passos poucos que logravam em galhos até caírem no chão eram quase elegantes. Talvez seja arte, não me sinto preparado para dizer. É tudo muito cansativo.
Eu queria te acordar para que assistisse os cavalos comigo, mas tinha vergonha de não entender ainda o que aquilo significava, se deveria significar alguma coisa, no caso de você me perguntar. Fuçava a mente atrás de todo o acervo que cavalos e árvores oferecem, mas a tv me distraía, qualquer coisa me distraía.
Escapava uma atençãozinha de vez em quando para os cavalos, já que estavam claramente tentando me impressionar, olhavam de canto pra mim antes de cada tentativa.
Eles eram culpa minha, eu sabia, então como eu poderia não saber o que eles faziam ali?
E no entanto eu continuava não sabendo, eles continuavam relinchando andares abaixo.
Você fez um barulhinho. Agora com alguma auto-consciência, diferente dos anteriores. Barulhinho desperto, imaginei.
Fiquei desanimado, logo você acordaria. Eu teria que te inventar de novo, inventar mais uma vez um dia com você. Já que nem você nem o tempo tentavam mais.
Se eu não fizesse minha parte, tudo afundaria, eu tinha certeza. Seria engolido por uma fenda na terra rapidinho. Até filhotes de cachorro. Até a China.
Bem que podiam aparecer umas laranjas, ou algo assim. Uma montanha delas. Ficassem quietas, sendo perfeitamente as laranjas que são. Ficaríamos lá eu e as laranjas descansando na maior, sem que ninguém pedisse nada de ninguém (como se isso fosse funcionar, em alguns segundos eu inventaria que as laranjas eram a minha alma, ou algo assim, elas iam ficar tristes, ganhar bracinhos e pernas e dançar).
Eu penso em desistir, mas nunca a sério. Sei que logo você acorda, e logo invento as brigas que teremos, o jeito super fera e charmoso deu me redimir e de você me perdoar. Vai passar tal filme, você vai gostar disso, odiar aquilo. Vai acabar o sorvete.
Lá fora um cavalo chama a minha atenção, pulando dessa vez do quinto andar. Tenta um sorriso ao passar pela minha janela e aterrisar fantasticamente, pronto para atravessar a fileira de árvores com sua elegância toda.
Não consegue, claro. É um cavalo.

Wednesday, May 16, 2007

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Não é como se aceitasse de verdade, mas engoli mal-engolido a falta de sentido derradeira das coisas ainda muito novo. Treinei-me para não insistir nisso, Você não quer ir aí, bróder. Olha pressa bola como ela é é colorida.
E mesmo assim minhas defesas caem com a maior facilidade. Saio de um romance ou de um conto onde procurava significado nas falas dos personagens e motivo pras coisas mais simples (dependendo do autor, de um jeito até irritante, tipo o nome do cara ser tal) e saio aplicando isso por aí quando o livro se fecha.
Até perceber o que estou fazendo e recuar, a frustração já aconteceu. É só um pôr-do-sol, bestôncio, rá.
Quando ouço música sem óculos, o borrão que me é apresentado não faz questão de existir como a música tocando e a impressão que deixa, mas quando ela acaba e voltam os óculos as coisas tem arestas e cantos e cores, procura-se uma lógica para processar tudo aquilo, o porquê da disposição dos copos na mesa, um rosto aparente na composição entre tevê e estantes. A forma por detrás das coisas que até há pouco era encontrada com facilidade, se você apenas prestasse atenção.
Mas o pior, e mais esquisito, é quando dá aquilo de acontecer algo que lembre filmes bestinhas ou propagandas na vidareal (i.e. logo depois de um término de namoro, abre-se um livro com poesias que já significaram certas coisas e acha-se uma foto dela) e você tem alguma dificuldade de aceitar a força daquilo. Porque é que eu deveria me importar se é tão clichê, se eu acharia risível em outro lugar. Se é tão, tipow, manipulador?
Deixam-nos suspeitos do pobre do universo, malditos traidores. Achando que é necessário rir ao ver crianças de altas (i.e.mais de duas) etnias brincando na grama, supondo ser aquilo um equivalente metafísico de comercial de banco.

Friday, May 11, 2007

See The Moon? It Hates Us
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A maioria das pessoas carrega tanta coisa consigo, se preocupa em desempenhar tanta coisa que é muito difícil ver alguém através. Aperto os olhos feito míope (literalmente, às vezes) até que a imagem fique séria, que apareça a infelicidade provável dela.
E no entanto umas não. Umas nunca deixam de sê-lo sem que você se esforce. Dolorosamente, até. Em festas e coisas assim é notável. Tenta-se juntar essas pessoas, mas geralmente sem sucesso.
É completamente inapropriado (mas relativamente incontornável) que sempre tenhamos que agir da mesma forma com todo mundo que conhecemos. Incorrer nas mesmas inseguranças e interrupções. Desenvolver piadas internas que substituam intimidade mesmo quando a coisa toda parece desnecessária.
Em tudo isso nos desperdiçamos, indefinidamente. E sabendo bem o que se perde, às vezes por inteiro.

Sunday, April 22, 2007

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Quando vejo que grupo de pessoas se decide por mulher bonita (ou 'mulé bonita', como preferir) como assunto, já fico desanimado, de olhar pra baixo. De imaginar que talvez meus centavos sejam convocados, e que vou ter gente guinchando em incompreensão, assustados. Enraivecidos, até. Ancinhos e tochas e olhares agressivos involuntários.
Pior de tudo, né, são os homens rasos, sempre eles. Declarando aí suas belezas retardadas como óbvias e absolutas. O melhor aí é perseguir algum acordo naquelas poucas incontroversas que andam pelo rosal e todo mundo ficar feliz e mudar de assunto. O que geralmente não acontece, e me forçam a chamar um travesti pelo seu nome.
Mas não muito atrás temos as mulheres. As mais das vezes desafiam seu juízo maldizendo um elemento qualquer da mina em questão. É muito frustrante, e elas não cedem. Fácil dizer inveja, mas nem é isso. Mulé bonita é assunto universal, e é difícil não ser honesto com beleza. A impressão é que elas encaram outras mulheres em busca do que elas julgam que não têm (invariavelmente erradas nisso, também). A mulher mais bonita sendo aquela com os elementos todos irretocáveis, como se preenchendo requisitos aí em uma lista com adjetivos engraçados, que as mães devem ensinar. Como se o todo não viesse primeiro, como se não fosse, na verdade, a única coisa a ser levada em consideração. Ahmasonarizdela.
Mas também não é culpa delas. Vamos ser corretos agora, por mais que bestinha. Sociedadedaimagemvaloresimpostospelamídia, tal: Sentindo as comparações a toda hora, até no escuro, sozinhas, é compreensível que persigam o que é que haveria de errado, especificamente, com elas. Suponho ser mais fácil odiar seu nariz do que você mesma. É até, de um jeito perverso, mais saudável.

Monday, March 26, 2007

Aquela coisa toda.
(um lembrete, entre outras coisas, de que isso é um blog pequenho, escrito para amigos)
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tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.
Certo. Essa primeira parte, com sorte, consegue-se.
Agora, a parte de fazer viver, dar espaço. Isso é um esforço bem maior. Todo um movimento aí de efeito complicado. Defender dos mongóis atacando em um setor, correr proutro onde aldeões com ancinhos. Ninjas. Sem contar, né, seu irmão gêmeo malvado. Principalmente ele.
Não é porque não faz parte do inferno, porque é do bem e infinito, que seja, que não requer manutenção. É também um exercício de criação, como todo o resto. É necessário desempenhá-lo a toda hora. Em todos os seus sentidos pequenininhos que se estendem indefinidamente. Ser maior do que você não significa que não vá depender de você. Toda hora.
E aí que rola de achar as coisas certas. Uma grande, ou várias pequerruchas. De significâncias diversas em tudo, responsabilidades diversas. Daí que mesmo de longe, mesmo quando parecer tolo, mesmo as coisas comparativamente pequenas. Ainda assim vão funcionar. Vão te arrastar através de um dia. Através desse, agora.

Wednesday, March 14, 2007

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Decidi que vou postar hoje, ok? ok
Não vou pensar sobre antes, não saindo de lugar algum não me desaponto em não chegar em lugar algum.
Só que não sou inteligente de ficar falando de coisas aí complicadas, e a minha VIDA PESSOAL é pessoal demais. Minhas melhores tentativas de ser não-específico consistem em fazer anagramas com nomes de pessoas de verdade, ou fingir que falo do mundo todo, como se o mundo todo guardasse tanto interesse.
Sei o que pensa, mas sou honesto demais pra fazer post que só finge que faz sentido. Real.
A imaginação é fraca, penso em uma dezena de pessoas e atenção fica dispersa. Daí não concluo nada das coisas, minha experiência não me permitindo que exemplos das coisas se manifestem em mais de, sei lá, duas pessoas por ano.
Então henry james. Leio henry james. A não ser que você seja uma dessas pessoas semsentidamente excepcionais, que existem decomforça, as chances são que personagens do henry james existem mais do que você. Por isso ver que tal personagem do henry james fez tal coisa vale como experiência de vida, percebi.
Outro dia, porexemplo, li de umas filhadaputa e agora vou precisar de terapia pra superar, acho que vou ter problemas em relacionamentos e tudo mais, commitment issues e pá, dizem seriados.

Saturday, March 03, 2007

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Não se entende nada. Tenho cá um bonequinho de coisa promocional de quase um ano de vida. Escroto, mal ajambrado, das piores tentativas em imitar forma de vida desde alf, desde rob liefeld. Uma bolinha de pelo com mãos e pés grudados, ainda um chapéu. Que diz que 2006, que o Brasil auto-suficiente em petróleo. Feito para morrer ainda nos bolsos das pessoas, pisoteado no chão dos carros.
Deve ser dos poucos sobreviventes, o que tenho na mão. As pupilas andam, às vezes se deitam. O olho morre.
Não consigo me trazer a esquartejá-lo, tão amarelo. E esperam a sério que eu morra?

Monday, January 29, 2007

Onde Andreis Passarinho finge por um instante que isto não é um blog e senta as pessoas na sala e assume um tom ligeiramente but seriously now folks, para o constrangimento geral
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Há sempre um aspecto tolerável em cada coisa pavorosa*. Às vezes até um bonito. Da mesma forma que dá sempre pra perseguir um traço mesquinho nas coisas boas. E sempre acomodam-se as razões mesquinhas sobre as outras, como se isso fosse prova o bastante. Você acha que é o espertalhão do morumbi, e tudo mais. Entendemos tudo ao avesso, sempre. É como se o hardware aqui fizesse questão.
Enfim, isso pra falar que os dias aqui às vezes surpreendem com coisas que aguentam. Que te encaram de volta e se recusam a ser contorcidas e reduzidas a tolices. Que sobrevivem, imagine só.
Tava certo, ele, sobre a mente, que realmente nunca pode ser satisfeita. Mas o ponto nunca foi esse, nowwasitever?
Crescer é verdadeiramente muito comprido. Demorei esse tanto para ceder e quedar e silenciar diante da seriedade de algumas coisas.
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Agora é o ponto onde as pessoas que me conhecem na vida real** se perguntam se estou falando de algo específico, e onde eu respondo gesticulando amplamente em direção a uma janela. Ou elaboro uma resposta supostamente misteriosa que, na verdade, não quer dizer nada. Por hora, entretanto, decidimos ficar com:
Cowabunga.
Pergunta da platéia se não é possível ser sério por mais de três parágrafos. Resposta em forma de torta.

*imagino uma ou outra exceção para todo mundo, no meu caso manifesta-se na existência da fernanda young (minúsculas dela).
**aquela com árvores, ministros.

Wednesday, January 24, 2007

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TEMA DE HOJE: Cultura

Pálido que sou*, de quase inexistente, acho que, mesmo assim, nem me esforçando conseguiria ser tão desinteressante quanto Daniel Galera. Nem aqueles caras do Manhattan Connection conseguiriam, nem o Caio Blat, quem quer que seja Caio Blat. Talvez o Al Gore consiga.
Qualquer amigo meu é mais interessante do que ele, o el nino, etc. Ele é como que rigorosamente desinteressante. Deveria entreter a possibilidade de usar sempre um chapéu diferente, escrever em caps, escrever bêbado. Antisemitismo, bater na mulher.
Espero que ele não google a si mesmo, como é divertido de imaginar que faça. Se sim: Bróder, tenho nada contra, keep it ever so real?

É enternecedor/divertido ver um autor que-tudo-pode-até-sacode trabalhar dentro de limitações esquisitas. Nabokov não conseguindo direito levar as coisas até um auge sem truques e simetrias de forma, Tolstói nunca parecendo um de nós, Pynchon incapaz de criar algo remotamente parecido com um ser humano, Borges e Dickens incapazes de escreverem uma linha sem ter aquela coisa tão, hm, agradável o tempo todo. Não dá pra perceber esse tipo de coisa com alguém de duzentos anos atrás. Prosa antiga demais tem sempre gosto esquisito, expressões que você não entende o que fazem lá, etc. Mas também, né. Já me impressiona que a coisa faça sentido depois de cinco anos do cara morto.
Tem gente que, com prosa bem menos versátil e virtuosa, consegue criar um humor inalterado e perfeito, onde não lhe ocorre que falta nada. Calvino quase sempre, Flannery O'Connor, Chékov, Ryan North. E o que faz menos sentido: Carver. Tudo funciona com eles.
Só depois de enumerá-los que me ocorreu que são todos contistas**. Ou seja, meu ponto na verdade deveria mudar agora, estou praticamente falando merda. I guess we all learned something today.

*não literalmente, literalmente sou cor-de-caixa.
**calvino de cidades invisíveis, tinha em mente

IN OTHER NEWS, cd do andrew bird vazade. Solte o prato quente, o filhote de cachorro que estiver segurando e vá baixá-lo. Convite pra oink, até, se for necessário (mentira).

Pronto.