Sunday, December 31, 2006

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Já estou começando a ficar puto com essa rapidez dos anos. Década quase morta e nada se levanta, nenhum padrão, assustador que fosse, começa a se formar nas coisas. A única cara que conseguiria imprimir minimamente envolveria fotologs e bandas que tocam no o.c., e eu não quero fazer isso.
Fiquei repetindo pra mim mesmo, entre sonhos, hoje: Friedman, James Brown e Pinochet. Se o nosso entendimento intuitivo do mundo não for completamente infecundo* (e eu nunca vou admitir isso), significa que, por necessidade de manter um equilíbrio, nasce agora uma mistura dos três.
(Talvez o Saddam no lugar do Pinochet, hm)
De qualquer forma, espero por desenvolvimentos aí da realidade com expectativas irreais de desenho animado, como sempre. O funk está solto, decerto resulta nalguma coisa. Que em 07 as bolhas estoirem de vez.

*eu ia dizer retardado, mas retardado ele é.

Wednesday, December 27, 2006

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Será que os portugueses entendem que estão sendo portugueses enquanto fazem a coisa deles? Todas as palavras inacreditavelmente apropriadas, sempre. Até burocracia soa agradável e afável, feito de massinha. Acaba que não consigo ler blog português. I mean Loiça.

Thursday, December 07, 2006

Duas coisas que não merecem post próprio
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Este negócio de blog não é saudável de jeito maneira. Compreende-se a necessidade (necessidade!, dizem os velhinhos dos muppets no camarote), mas eventualmente alguém dirá essa geração um bando de gente que não consegue dar um passo sem tê-lo comentado, fotalogado, não consegue escrever sem ter alguém que leia imediatamente.
E ninguém consegue se levar a sério. Ou, pior, começam a levar a sério a bobajada que só é pertinente e necessária aqui nas intraweb. (O que é terrivelmente apropriado aqui dentro, mas acaba escapando).

Na Intenção de Chun Lee
Eu posso dizer que o orkut me fez atentar pras elegâncias que o mundo despeja toda hora em cima da gente debaixo de um disfarce ofensivo? Posso?

Sunday, December 03, 2006

Olha, eu não me importo com tudo isso aí do meio-ambiente. Não digo isso porque é bonitinho e irreverente (irreverente, meo deos, ainda tem gente que precisa se mostrar irreverente aí nessa tróia). Eu não me importo porque a imaginação é fraca, mesmo. Ficam falando que vão engolir as praias e matar as morsas e eu não acredito. Até parece. Morsas nadam, pinguins também.
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Descobrir um ministério novo, com seu ministro sempre apropriado (como eles conseguem?), é como descobrir um novo ursinho carinhoso, um novo smurf.

Na foto, o Ministro da Pesca encontra o Ministro da Cidade. Mirthfulness ensues.
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Seria mais apropriado se eu falasse de livros, filmes. Faria mais sentido. O filme dos mágicos lá tem David Bowie como Tesla. Isso deve ser o bastante para arrastar alguém até o cinema ou impedir com igual força. No mais, livros são legais, leiam, etc. Sobre música, falem com o pará.

E isso é tudo, those are the fake news, I'm chevy chase and you're not. Só posto de novo daqui a mil anos.

Monday, November 06, 2006

O Brasil enquanto fenômeno de natureza brasileira
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Personagens:
O Senado
O Homem Comum (Jairo)

Personagens mudos:
A Alegria
A Abundância
Humberto
Pote de Azeitonas

Resumo:
Cena 1:
Humberto tenta comer azeitonas, vozes incorpóreas avisam que não são comestíveis, que estão lá pra satisfazer a necessidade de item inusitado em toda lista, porque piada fácil ainda é piada. Senado cai de gangbang na Alegria e na Abundância, gargalhando altos, sem motivo aparente. Teme-se a fúria dos deuses, mas as vozes incórporeas voltam, e dizem que tranqs: mais ou menos até o Mato Grosso a jurisdição é de Tupã, que só pede cuidado com superfícies reflexivas e diligência na confecção de redes. Redes são realizadas, espelhos são quebrados.. Gangbang no Humberto, cuja incapacidade de protestar é repetidamente motivo de troça.

Cena 2:
Quando Humberto esfria, Senado tenta descobrir a moral da história. Ninguém toca em Jairo, que tenta vender o artesanato feito com suas próprias fezes. Sem outros sinais, tornam à Cometomancia. Gangbang no pote de azeitonas. Esperam o próximo cometa, sem perceber que observam o teto (revela-se o teto apenas no final, tipo surpresinha).

Cena 3:
Para que coisa alguma seja percebida como metáfora, o autor (responsável pelas vozes incorpóreas, no final das contas, e pelas gargalhadas solitárias e bira-like) esclarece que nada daquilo tem significado. Jairo morre de disinteria em cena pungente. O universo (Regina Casé) estoira em lambada.

Tuesday, October 31, 2006

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As pessoas são esses bloquinhos de montar, mesmo. E gostam de pizza. E odeiam acordar cedo. Não são legais, estão te dando mole. Daí assustador ficar se esforçando pra imaginar que capazes de universos lá dentro dos penteados deles. O Evandro-que-se-preocupa-com-a-globalização contém multidões. Dentro da subestimação das propriedades fixadoras de gel pra cabelo e da potência do som de seu carro, alguém que abstrai e chora e acredita na democracia. Tá, uns (e tem pouco a ver com inteligência) não passariam nem no teste do espelho, mas até esses encontram função e, com sorte, curso superior.
(pronto, parei de posts assim, agora me calo e resmungo sozinho, ou pros pássaros, em forma de canção)

Thursday, September 14, 2006

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Neguinho diz que isto aqui tudo é um grande traseiro de babuíno e tentam provar dizendo (entre outras coisas) que, se não fosse, existir apenas por existir teria que ser o suficiente, já que não há justiça e nem atração sexual feminina por filósofos. Mas existir é o suficiente, Adelaide, o negócio é despir-se de viadagens*. Vejam um gordo, ele é mais feliz porque existe mais do que a gente. Vejam a coxa de um gordo, repleta de existência, rotunda como um desenho animado.

*vaidades. essencialmente é a mesma coisa

Thursday, August 10, 2006

Quando as coisas se prolongam o bastante começam a comentar na rua, e não dá, nessa era aí do whatnot, como ficar sem saber das coisas maiores, é o preço que pagamos pelo youtube, sempre conseguem esgueiras essas coisas em notinhas aqui e ali, e eu leio, achando que é algo inocente que só quer me vender viagra ou aumentar os meus seios.
Quando não é isso é a minha mãe, deixando jornal com manchetes escrotas (como é que conseguem mostrar tanta imbecilidade em uma linha is beyond me) pelo corredor, imagino que querendo que eu leia. Antes tinha a desculpa do vestibular, mas agora é francamente ofensivo. Minhas opiniões são todas completamente imbecis e desinformadas, tanto que só as divulgo entre familiares, e todo mundo fica melhor assim, discutindo a situação lá dos terroristas* com taxista ou barbeiro.
Mantendo essas crises aí todas simplificadas na minha cabeça, ilustradas por tipo duas informações desencontradas, tudo fica mais simples e simpático. Usando palavras de colunista gordo, fica tudo preto-e-branco, maniqueísta, e isso deve ser o ideal, se professores universitários são contra**. Eu gosto das minhas crises políticas simples e chamativas, me dêem catchphrases ou atentados, ou fiquem calados. Algo que eu possa usar em piadas sem-graça, como mensalão, a dancinha da deputada lá também foi massa.
É legal que fica toda uma massa parecida e assustadora na minha cabeça, aquecimento global e lula, mensalão e hezbollah. Aposto que na verdade eu entendo muito mais o que está acontencendo do que todos vocês, no final das contas. Tem coisa demais acontecendo, logo aparece o ruivo hering gargalhando em cima da montanha, um carro desses que sofre atentado levanta e vira um robô, o bono tira a máscara e é o osama, reality is seeming to catch up, I tell you.


*eu que achava que era só uma, parece que tem umas oito situações lá de terroristas acontecendo as we speak.
**eu nunca vi um professor universitário se mostrar do lado certo de alguma coisa, isso é óbvio, e tudo, mas chega a proporções absurdas, parece ser gente que torcia pro papa-léguas.

Friday, July 21, 2006

Views Of Thomas Pynchon Weeping
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Thomas Pynchon morre, atropelado por uma carruagem cheia de realistas histéricos que não percebem quem ele é.

Thomas Pynchon entra no elevador e encara o espelho, percebe que ele é Thomas Pynchon. Faz caretas, passa o dedo pelas sobrancelhas. Ri pra caralho.

Thomas Pynchon toma banho e considera a capacidade armazenadora de sua bexiga. Sabe que alguma coisa vai ceder, atravessa uma linha há muito estipulada consigo mesmo por motivos agora insondáveis, mijando no chuveiro.

Thomas Pynchon espera pelo troco na mercearia que frequenta semanalmente, a televisão ligada em um noticiário mostra o presidente. Imagina que seria simpático fazer uma piada infame. Encara o imigrante assustado, estica a mão para apanhar as moedas, sorrindo, a mente branca e muda.

Thomas Pynchon caminha sem rumo esperando pela hora de um almoço com um amigo, percebe-se perto de uma universidade familiar, vai atrás de salas conhecidas de muito tempo. Acabando dando por uma aula sobre literatura do século XX, olha no relógio e se pergunta se há tempo até ele aparecer.

Thomas Pynchon conversa com as mães dos colegas do seu filho, se esforçando para não ser muito descarado ao observar os decotes. Depois de um tempo, decide que não se importa.

Thomas Pynchon observa o seu filho dormir. Sem saber o motivo, dá um beliscão muito fraco na porção descoberta da perna do filho. Ele não reage. Pynchon belisca mais uma vez, e outra, cada vez mais forte.

Thomas Pynchon finge que está amarrando os cadarços para que a mesa esconda sua prospecção por pedaços de comida entre os dentes. Falha miseravelmente, uma criança o observando do outro lado do restaurante com um cara triunfante.

Thomas Pynchon visita o blog mantido sob um pseudônimo e dividido apenas com amigos próximos que também escritores, checa a caixa de comentários, que está vazia. Depois do jantar, checa mais uma vez.

Thomas Pynchon no chão de um banheiro, chorando. As pernas encolhidas de forma desconfortável, sua expressão distorcida no vaso e na pia sem que ele veja. Observando o padrão dos azulejos que se interrompe em umas falhas aqui e ali, pensando em um bando de coisa esquisita.

Thursday, July 13, 2006

Ela com certeza reagiria a uma aranha chamada cthulhu
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No meio de congressos, jantares oficiais e reuniões de cúpula, aulas de todo tipo e coisinhas sociais perfunctórias, todo mundo joga o sapato na parede, ou algo assim, a expressão inalterada e impassível. Beleza, não dá mais, não tá rolando. Acabou. A primeira pergunta que aparece é o que apareceria pra substituir a realidade. E deixam as ruas para governarem a si mesmas, e as televisões lá passando pra ninguém, deputados sem ter o que fazer. Saem pra viajar de carro 'pra qualquer lugar', afetando a espontaneidade de filmes, e sorriem enquanto observam a mulher adormecer no banco de passageiro. A segunda é se eles poderiam comer todo o chocolate que quisessem quando não houvesse realidade. Mostram uns molequinhos andando de bicicleta numa rua deserta, molequinhos andando de bicicleta é sinal de esperança, "Um final triunfante", diriam os resenhistas. Mas nem é, na verdade, depois todo mundo continua agindo como se as coisas ainda existissem, ninguém tem cojones pra desistir de verdade. Foi só mais uma desculpa pra ficar bêbado de manhã cedo. Alguns ainda tentam, umas tentativas de emular musicais espontâneos pelas ruas da realidade sobrevivem. Bancários tentando pular e bater os calcanhares. Todo mundo finge que não vê. Verdadeiramente tocantes foram os casais que acreditaram por muito mais tempo do que todo mundo, que aquelas ruas desertas seriam suas, que nenhuma voz atravessaria as paredes e as portas para acordá-los, a cama desarrumada para sempre. Mas a onda de chatice que investia desde sempre ganhou, algo sempre cede. Aí ficou todo mundo lá twilight zone pra caralho, dizendo com cara séria que sim, esse aí é o mundão de meu deus. Os olhos vazios e acusadores cantando músicas de protesto. E as expressões desalentadas na rua, os olhos se fecham por um instante, mas nem o vento, nada nos abandona. Carcaças semi preenchidas com nada pairando por trás, subindo e descendo escadas e cortando laranjas, defendendo teses. Mas aí um dia todo mundo tá vendo um filme, ou algo assim, e algum político ou sei lá atinge um grau de absurdice verdadeiramente insustentável, até ele começa a rir tal, fala foi mal ae, todo mundo ri pra caralho, vai lá pra fora, põe a mão na cintura e observa o sol se pôr, tomando sorvete de pistache e sorrindo e falando que sempre suspeitaram, relembrando dos trechos mais cretinos. Much rejoicing com a revolta da vacina, com o comunismo, com a história brasileira em geral. Uma candura que se impõe naturalmente, até personagens de Dickens entenderiam Dickens, Acácios ruborizados ririam naturalmente pela primeira vez. José Sarney, enfardado como imortal, quedando silencioso diante da irrealidade do seu próprio bigode. Os extremistas religiosos fazem pantominas imitando a si mesmos, oh, oh, vou fazer uma inquisição aqui rapidão. O outro faz que pilota um avião e cabum, todo mundo aplaude, apesar de mímica de avião ser basicamente a mímica mais fácil que rola, só pra você ver como todos estão bem humorados.
Uma criança arrisca A realidade nem tentava direito, né? Os pais sorriem orgulhosos, não mesmo, filho, cafuné e coisas assim de comercial de banco.
No fundo as coisas caminhavam pro elegante, alguém murmura para si mesmo enquanto calcula o abocanhamento de uma maçã. Pôr-do-sol verdadeiramente triunfante dessa vez, sem que ninguém bata palma, pessoas barulhentas silenciosas pela primeira vez, música ribombando nos morrinhos da realidade, pela primeira vez verdadeiramente floridos. Um momento de compreensão silenciosa absoluta. Chovem filhotes de cachorro. Aí aparece umas imagens do universo. Aí tudo desfalece e cai pra dentro e desmonta deixando ternos despreenchidos com cheiro engraçado. A cara familiar de deus diz olá.
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(err, eu não sou exatamente bom com títulos)

Tuesday, June 20, 2006

A Poesia no Rock
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Bing bang bingalong, cing cang cingalong, ding dang dingalong day
Fing fang fingalong, Ging gang gingalong, hing hang hingalong hay
Jing jang jingalong, king kang kingalong, ling lang lingalong lay
Ming mang mingalong, ning nang ningalong, ping pang pingalong pay

Tuesday, June 13, 2006

Monday, May 22, 2006

Sobre conversas sobrouvidas em um avião
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( já estamos na metade do vôo e você notava há um tempo com o canto do olho as repetidas insistências com a aeromoça para conseguir mais bebida, ele não espera ninguém puxar conversa para começar a falar)
No fim de tudo encontra-se um anjo, um anjo não bonito o bastante para te deixar constrangido, mas antes super simpático e gentil. Ele não se diz anjo e te responde apenas com um sorriso bonito se você perguntar, mas tem as asas, né. Este anjo responde todas as suas perguntas, quando não consegue explicar em palavras mostra filminhos e slides. Ou mímica, anjos fazem mímicos fantásticos. É a única hora onde você pode fazer perguntas, então aproveite. Você pode eventualmente falar que acabou, que é só isso mesmo muito obrigado deixa eu ir pro céu agora, mas aí não dá mais de perguntar nada pra ninguém, eles não deixam. Perguntas sobre a natureza do além disso são as únicas não permitidas, né, sempre tem um truque. Então você pode ficar milhões de anos lá, pensando em mais coisas pra perguntar. Você vai ficar meio constrangido a princípio. Ele olhando para o nada, nem cutuca a unha nem murmura melodias angelicais nem nada, mas anjos aprenderam há muito tempo a serem pacientes.
(Pára um pouco para pensar nisso, sorrindo. Gordo e afável, a voz dele parece suada, você não sabe dizer exatamente o porquê. )
Ah, sim, todos dizem aqui na terra que não existe nada definitivo acerca de questões estéticas, mas eles tem respostas prontas por lá. Isso é bonito, isso não é. Umas interpretações fantásticas de uns livros. Tem umas coisas que eles te falam e você não acredita a princípio mas acaba encaixando depois. Quando você duvida eles mostram vídeozinhos com depoimentos do autor, dá vontade de ficar com raiva do anjo mas você não consegue, ele te mostra na maior boa vontade, sem ser sacana sobre a situação, todo atencioso.
É, Isso que é o mais legal, você não fica com vergonha de perguntar coisas chatas, pedir pra ver ditadores chorando ou atrizes dos anos 50 tomando banho, tudo ele mostra com a melhor disposição do mundo, como se fosse a pergunta mais interessante que já perguntaram, como se fosse perfeitamente normal pedir pra ver suas ex-namoradas chorando por você. Haha.
(Corrige a sua posição e brinca com os cubos de gelo, levanta o copo para levá-los à boca e derruba tudo, murmurando palavrões e expressões que você nunca ouviu antes e que francamente não consegue entender muito bem, a sensação não acontecia desde a terceira série)
Pois é, as perguntas não são só coisas como 'de qualé do tempo?', ou 'de qualé da vida?', você pode perguntar sobre livros, sobre, tipo, quem foi que contou pro seu amigo que você imitava ele bêbado pra todo mundo se pedissem, o que diabos aconteceu lá com o kennedy, o que se deu com atores mirins de sucesso dos anos noventa, tal. Tem gente que pede pra ver personagens históricos fazendo você-sabe-o-quê, tá me entendendo, mas nunca foi meu tipo de coisa. Eles têm toda a podreira em escritores reclusos, também.
(Pára por mais um tempo, come um pouco do lanche, dá umas risadas com longos intervalos, balançando a cabeça)
Eu descobri que um amigo meu era gay. Haha.

Sunday, May 14, 2006

Further Evidence That We Have Lost All Connection To Reality
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Perfis são criados como uma REFLEXÃO de como seria o bogus de tal pessoa, comunidades com piadas internas (and I mean inside) que não serão explicadas, e exemplos que eu não tento explicar aqui porque simplesmente não vejo como.
É todo um tipo de sutileza (não sutileeeeza sutileza século dezenove, mas um tipo de) que consegue distinguir as pessoas com maior discernimento desse nosso hoje em dia de meu deus (ou conseguia, ao menos, antes da queda).
Corte para vinte (não, dez, não, cinco) anos depois, você tentando explicar pra alguém qual era a graça da piada toda. Você vai ter que admitir que entrava no perfil de algumas pessoas quase todo dia, o significado da Visualização de Perfil e como ela mudou the world as we know it.
Vamos precisar de um romance capturador de zeitgeist (admirem os meus culhões, eu digo sem caps) a cada cinco anos, galera? Nos contentar com posts? Nay, comunidades? Onde os níveis todos se abocanham e alguém desliga o chapéuzinho com lanterna e nós podemos todos ir pra casa. Ou para a página principal, descobrir que Você se dará bem na expansão dos negócios.

(eu juro que é o último, falta de assunto dá nisso)

Thursday, May 04, 2006

O laerte é o maior brasileiro publicando hoje (eu quase falei maior brasileiro publicando hoje vivo).
A gente ri e fala olha só haha que irreverente e espirituoso, mas não é pra ser engraçado não, galera.

Wednesday, April 26, 2006

esse blog é meio lento, mas acabou de perceber que o manuelparangolete sumiu. sacanage. como protesto, vamos discutir aqui na caixa de comentários o fenômeno MUSEU e sua relação com o real. até ele voltar.

Monday, April 24, 2006

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Os níveis já sempre foram tantos, as tensões socias oh-tão-complicadas, se os sitcoms não tivessem me explicado seriam mais frequentes os momentos com todo mundo esperando uma resposta. A reviravolta aconteceu com uns quinze anos, passei a ver vantagem no fato de não entender do que diabo as pessoas estavam falando metade do tempo, ou o quê que elas estavam fazendo, porque estavam gritando. Isso de filmes e livros coming-of-age, o orgulho de ser di-fe-ren-te. Sim, é possível ser tão clichê, pelo menos não aprendi isso com desenhos animados inclusivos modernos, Júlio usa óculos, Marta é tetraplégica.
Eventualmente passei a entender, pelo menos em princípio, o que estava acontecendo, mas eu me distraio muito facilmente, a realidade não é sutil o bastante para ser interessante, a realidade devia ler jane austen. Pelo menos é ridícula, ainda bem que é ridícula, muito mais ridícula do que a galera do século dezenove achava exagerado. Daí hoje eu vi a luz e só acho graça. De tudo. Até agora está funcionando bem.
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(eu já ia começar a falar de internet de novo, do orkut e da insegurança das pessoas de parecerem stalkers, mas já ficou repetitivo há muito tempo, isso e ficção contemporânea, estou até parecendo dessas gentes tão detestáveis que só mantém o rabo aberto pro século vinte.
Pois é. E o camões, hein, galera?)

Wednesday, April 19, 2006

K Penetrated with Sadness
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He hears something playing on someone else's radio, in another part of the building. The music is wretchedly sad; now he can (barely) hear it, now it fades into the wall. He turns on his own radio There it is, on his own radio, the same music. The sound fills the room.

Barthelme, Robert Kennedy Saved From Drowning
(aqui, só não sei se inteiro, junto com mais coisas dele, tipo um pedaço de the balloon)

Sunday, April 16, 2006

AS POSIÇÕES SOCIO-POLÍTICAS DESSE BLOG

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Este blog não depende de citações fáceis e nem da bondade de estranhos, letra de música só brasileira e de gerações saudosas. Não editamos template, editar template é coisa de veado. Somos contra tudo que está aí, não acreditamos em poesia e na presença de um poeta nós gritamos 'e aí poETA'. Preferimos cambridge-ma à cambridge-en, preferimos os pseudônimos masculinos aos nomes verdadeiros de escritoras inglesas, o nariz da george eliot sobre o nariz da virginia woolf, Ciro, o Grande sobre Pedro, o Grande, hal jordan sobre todos os outros e, desde a quinta temporada, rory sobre lorelai. Opinamos que mais de dois pares de ombros. Não acreditamos no infinito e temos nossas dúvidas acerca das coisas muito, muito grandes. Contra burguês votamos tal-numéro-lá. Acreditamos ser possível uma existência individual hoje, somos contra o racismo e a pena de morte. Grandes merda ser adevogado.

Tuesday, March 28, 2006

a mesma coisa de sempre
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A coisa é que mundo não tem sustança o bastante, às vezes, não tem. Não chega a cair no chão, mas também não convence de todo. Aí você fica lá, olhando suspeito para todas as coisas que pendem soltas, sem saber o quanto daquilo é afetação. Acho que me falta um pesadelo de vez em quando para me aferrar à realidade.

Thursday, March 23, 2006

A infância da juventude capitalista contemporânea resumida e simplificada em uma pequena anedota
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Reunidos na casa de um deles, depois da escola, com o pretexto de realizar um trabalho de geografia. Assistem a um clipe de algum cantor de música pop de quem meninas gostam e que todos eles concordam que não é música porra nenhuma. Os avanços através desses campos são feitos rapidamente por meio de perguntas e respostas nada despretensiosas, as intenções são claras, delimitar o quanto é que eles têm em comum, afinal, já que nos jogaram juntos em uma mesma sala por sabemos lá quanto tempo. Apenas um deles realmente se importa com tudo isso, o resto está satisfeito com as habilidades esportivas observadas e a falta aparente de chatice ou frescura evidenciada em sala de aula. Ele arrisca um comentário sobre jogos de videogame antigos, iniciando uma discussão animada sobre os jogos que todos eles jogaram nos consoles anteriores aos vigente. O comentário foi algo deliberado, saiu de uma só vez como se estivesse há algum tempo perambulando a cabeça, mas nenhum dos outros percebeu, aparentemente. Eles também não percebem muita coisa.
O dono da casa está mais confiante do que na escola, mais histriônico e, os outros concluem mentalmente, mais chato. Ainda tolerável, mas chato.
As personalidades não eram caricaturais a ponto deles serem facilmente reduzidos cada um a um personagem específico de um desenho animado qualquer, o que era bastante frustrante, não existia um engraçadinho, um líder, um fortão, uma besta amável e o inteligente. Aquele seria o grupo de amigos que o acompanharia o resto da vida, qual é o papel que cada um vai desempenhar? Todos mais tarde se achariam em algum ponto o líder do grupo, considerando secretamente ser muito superior em alguma coisa (com a exceção de João Alberto, o mais próximo que eles tinham de uma besta amável, e que era realmente um cara amável e humilde e não se achava o líder de coisa nenhuma).
A conversa sobre videogame ainda acontece. Com mais crianças do que se imagina, a primeira noção de fracasso e frustração vem de jogar alguma versão de algum jogo do mario, depois da vigésima tentativa de subir em cima de uma plataforma flutuante em movimento fracassar e o encanador cair em um infinito, esquece-se porque é que se tenta subir em plataformas em movimento para começo de história e a vontade é desligar o videogame imediatamente, e quando a tela escurece o coitado percebe que não sabe o que vai fazer agora, assim, com a vida. São crianças problemáticas, essas, gente que fica inventando história. Apenas dois ali eram assim, os outros dois eram de boa.
Ficaram bastante felizes ao perceber cantos esquecidos da memória ressuscitados e provados corretos, se sentiram menos solitários por um instante. A cada silêncio achava-se que a conversa iria morrer, mas alguém lembrava de mais um pequeno pedaço de alguma coisa, cantava uma música tema, imitava uma voz, mas um silêncio qualquer, sem nada demais, acabou se provando derradeiro, e as atenções mais uma vez voltaram à televisão.
Um deles, entretanto, o que instigou a conversa, sabia o que esperava daquilo e se sentiu meio desapontado com a primeira experiência que teve com nostalgia. Riscada mais uma das sensações incorpóreas de que tanto ouve falar, espera que as outras não decepcionem.
Ele preferiria ir para casa, o entardecer de sua casa era o único agradável, os outros eram deprimentes. Uma tarde na casa dos outros é uma tarde sem fazer o que se gosta de verdade, tempo livre desperdiçado. Mas a mãe do garoto mencionou pequenos hambúrgueres. Ele estava intrigado com a noção de pequenos hambúrgueres.
Enfim, eles ficariam amigos, teriam piadas internas e emprestariam pijamas, se afastariam por volta do ensino médio. Esse tipo de coisa.
O dono da casa estava ansioso para agradar, mas não ia ficar pegando água pra ninguém também, não era um veadinho. Túlio, a outra criança problemática, tinha pensamentos complexos demais para serem desenvolvidos aqui.
Três deles tinham o que homens chamam de cabelo preto (que vai do que mulheres chamam de castanho a verdadeiramente preto) e João Alberto era loiro com sobrenome alemão. Túlio era gordinho e sensível sobre isso, o dono da casa tinha sardas e era o melhor no futebol sem ser um babaca por causa disso.
O único a manter contato com todos durante a vida toda seria João Alberto, todos passariam por uma fase difícil e diriam que Olha, não teria sido fácil sem a ajuda de João Alberto.
Depois todos eles vão e crescem e têm existências individuais, um amigo em comum se mata, um deles tem câncer na próstata, todos passam por crises de meia-idade, os sonhos que restam são destruídos por esse mundo selvagem, selvagem que não dá jeito e aí todos morrerão, um por vez, sozinhos. Com a exceção de João Alberto, que representa alguma coisa e acaba se revelando algum tipo de espírito da floresta que vive para sempre.
Lista Curta de Coisas que são meio palha
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-O uso de "néon" em imagens poéticas
-Teatro

Friday, March 17, 2006

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Claro que é bacana gente como o Chris Ware brincar de que Quadrinhos é coisa séria, sim senhor olha só o que podemos fazer com a narrativa, Nós temos nossos próprios recursos e somos publicados na New Yorker. Mas e o perigo, ó meu caralho? Quadradinhos são uma das poucas coisas que não foram chatificadas ainda, uma das, sei lá, quatro coisas. Pode brincar de coisa séria, mas brinca escondido, faz capa colorida pra ninguém perceber, com onomatopéias e animais falantes. Daqui a pouco vocês tem função. E aí já viu, né.

Thursday, March 16, 2006

Aquele blog saudoso do figueiredo é meio doidinho, né?

Friday, March 10, 2006

Andreis Passarinho passeia pelo mundo lá fora
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Existe um portal de blogs chamado Verbeat.
Sério. E um outro chamado Insanus. Com U de uva. É quase o bastante para ficar irônico, mas nunca se sabe, né?
Eu vi uns cachorros e umas árvores, também, e uns gnomos de chapéu cônico trocando o cartaz de um outdoor.

Monday, March 06, 2006

Essa cousa infinita e bonita que é a internet E como ela afetou Andreis Passarinho Nas Madrugadas de Sua Juventude
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Ninguém falou disso ainda, falou? Claro que mencionam aqui e ali, mas existe algum desses romances americanos aí que vocês gostam que fale sobre? Que seja descrito na parte de trás como a melhor captura do momento da internet de que se tem notícia, a remarkable achievent, essas coisas?
Fico com medo de quem vier primeiro, vai falar bobage e vão gostar do mesmo jeito.
João tinha um BLOG e sua ex-namorada procurava dicas de seu envolvimento com outras garotas nos SCRAPS de seu ORKUT, muito lhe doeu a rápida transição de COMMITED para SINGLE.


Ainda estoura em mim como novidade, às vezes, Essa cousa Infinita e bonita que é a internet, não era tão animado com a coisa até um tempo atrás, mas hoje em dia estou mais proficiente (ainda cutuco computadores com gravetos quando eles chiam, e ofereço bezerros quando eles dão birra, mas a internet já é um campo mais familiar onde pulo de vitória-régia em vitória-régia sem afundar) e achar coisas legais e que Divertem Ensinando está ridiculamente fácil.
Nós somos os últimos que ainda vamos nos lembrar da primeira vez que mexemos na internet (a minha foi no site da turma da mônica, cujo propósito me escapou e ainda me escapa), logo vão brotar como pragas pelos salões relatos emocionados como o do Ferreirinha

"Eu me lembro quando conheci o Google e ele retornou tantos campos de meu interesse! Formigou pela primeira vez nos dedos essa infinitude de possibilidades que não serão investigadas!, pela primeira vez fora das asas de um livro a sensação confortante e formidável de não estar por demais consciente dos limites de todo lugar!"

Na foto, Ferreirinha se admira com a internet

Hoje em dia o que mais ocupa meu tempo na coisa são blogs, e adquiri o hábito, a princípio involuntário, de tomar os autores como personagens fictícios, (o que é meio verdade, muitas vezes) caçando a explicação por trás de crípticos one-liners e letras de música de fossa nos blogs linkados com mais efusividade. Algum cretino ainda vai escrever um livro, ou pelo menos alguns capítulos, assim, sendo menos sutil do que deveria. Mas legais são os mais discretos, os que relatam o que acontece à exaustão de qualquer interesse minimamente saudável costumam ser secretos ou ilegíveis.
Sobre os blogs terminados sem explicação, no meio de agosto de 2001, ou novembro de 2002, esses filhos da puta frustrantes, imagino que em um futuro próximo serão mantidos em algum site antropológico muito linkado com explicação do que aconteceu com seus postadores e uma seção especial para blogs secretos terminados por atentados terroristas e por esses furacões e monstros que aparecem de vez em quando.

xXFallen_AngelXx morreu devido à complicações derivadas de sua bulimia, apesar do template, tratava-se de um homem

Friday, January 27, 2006

Só pra constar nas posteridades aí que eu brinquei disso também
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Tenho um amigo, eu. Um amigo cujo universo se expandiu mais e mais que o olho humano dele não conseguiu ver pois o próprio universo os tampou.
Era familiar, eu já tinha ouvido falar sobre isso nos lugares, nos salões de minha juventude. Até várias vezes, até virar piada e esquecerem a origem séria, que na minha opinião não é matéria para riso nenhum.
"Como quando aperta control sem ver e rola pra cima daí as letras sobem e sobem que até tapam as coisas. "
Ele tinha isso pronto para impressionar as garotas pouco impressionadas que olhavam distante, você percebia de longe.
"E o quê que equivale ao contrário? Quando as letrazinhas ficam pequenas e pequenas que parecem formigas?"
Ele me olhou assim você é burro e disse que no fundo era a mesma coisa. Eu fiquei com vergonha de pedir pra explicar, só fiz que sim com a cabeça, falei baixinho que tudo que é pequeno parece formiga.

Sunday, January 15, 2006

Smile, to be sure - for fucking dogs are truly funny- but walk on say nothing, as though you hadn't noticed
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Ficção mal escrita pode causar reações bem distintas, dependendo das intenções do autor. A ficção bem intencionada, sem ser pretensiosa, que só quer mostrar momentos bonitinhos entre os personagens lá que ela arranjou, quando mal escrita, me traz uma tristeza assim de olhar pela janela, ainda mais quando publicada de verdade, em papel e tudo, com o nome lá do cara que escreveu, a universidade onde estudou ou coisa parecida, a dedicatória pra família que apoia. Você fica torcendo pra ele não fazer aquela metáfora, pra ele não chamar atenção praquela coisa que deveria ter ficado subentendida, pro conto não ter aqueles twist endings onde o velhinho era cego, o protagonista na verdade é um cachorro, ah, olha só, um cachorro todo esse tempo.
Mas isso quando não é coisa de estrondoso sucesso na praça, quando é coisa de estrondoso sucesso na praça eu fico é com raivinha, cheio daqueles mas, mas como criança anunciando choro, enchendo cabeça de punições sádicas e de realização improvável.
Quando isso acontece quase sempre uma torrente de coisas erradas com o mundo desfila pela minha cabeça, como universitários em caminhonetes mostrando a bunda, rindo da minha impotência, rindo e apontando.
Contra isso o recomendável é ler gente morta, mas bem morta mesmo, gente empertigada que fala engraçado, nem precisa ser um livro inteiro, se não for o seu estilo, pegue uns diálogos no meio envolvendo algum comendador, sem contexto também funciona, pelo menos comigo.

Sunday, January 01, 2006

posto por postar, porque 1/1/2006 no coisinha.
2006, uau. metade da primeira década verdadeiramente sentida por aqui e nem se percebe.
ah, não vale a pena, os dois mil e poucos são todos desajeitados e feiosos, e o futuro como fica? os que ficaram pra trás pareciam que estavam pra chegar em algum lugar, esses agora ficam só prolongando a decepção, e até sei lá quando.
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na foto, eu e a esposa em trancoso, paz e firmeza são os votos de andreis passarinho e família
lá em cima, foguetes rasgando e gritando fiu, já aconteceu antes mas nada que se compare a esta vez, eu chuto também que igual tiranossauros em aeroportos.
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in other news, esse blog já tem trinta e dois posts, posts de reflexão e engrandecimento, de eu e você, de piadas e brincadeiras, e isso não seria possível sem vocês)
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na foto, vocês