Thursday, December 29, 2005

Jorge
Dizem que Jorge fala demais, Jorge transformou tanta criatividade em contos. Ele tem uma seção de besteirol no seu site, a mais privilegiada e uma das mais completas, as frases engraçadas que Jorge lembra ele coloca no seu site. Ele demorou muito tempo, teimando, em não escrever poesia, mas parece que cedeu. Jorge também juntou sua paixão por contar histórias com a paixão pelo saudoso poeta renato russo para transformar a história da música faroeste caboclo em livro. Pois é.

Não adianta, gente, eles estarão sempre um passo adiante.
Peguem o cddb, tudo que pode ser dito sobre aquilo precisa ser dito entre aspas, o resto é redundante, devemos nos ajoelhar e admitir que ele é uma força a ser reconhecida, acima de toda crítica. Todos eles são, inclusive those that shall not be named, que vestem ternos. Antes derrubava-se barreiras com o exagero, todo espertalhão, todo eça. Agora não sabemos mais como lidar com isso, nos sentamos silenciosos e observamos, apenas, cortando as melhores partes para mostrar aos amigos, desanimados com a nossa impotência. Agora o Brasil escreveu Géia, a maior obra literária de todos os tempos. Vamos lá, senhores, quero ver maior do que isso.

Wednesday, December 28, 2005

Devemos ter medo da nanotecnologia?
Não
Semana que vem: Folclore Brasileiro

Tuesday, November 22, 2005

Walking the crooked and pointless ways with the monsters that talk, monsters that walk the earth
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Eu sei que as pessoas gritam e batem panelas, chamando atenção para a sua existência ofensiva e grosseira como podem. É a única maneira que elas encontraram de assegurar que estão vivas, e que a vida é bonita, é bonita e é bonita. Tá certo, mas eu não acreditava nelas direito, não de verdade. Eu olhava nos olhos e eram olhos de boneca, entenda, eu tentei.
Com algum esforço arranco da memória um exemplo, o apagado Pedro Ilha, um colega desses cursos de inglês. Pedro Ilha parecia ter me escolhido como amigo, por razões que nunca entendi bem, nunca encorajei esse comportamento com qualquer resposta aos seus comentários, revoltantes até pros meus lenientes doze anos. Imagino Pedro Ilha passando a tarde toda olhando para a parede, esperando uma refeição, comentando o clima. Pedro Ilha pegando um sobrinho pelo braço e cochichando palavrões no seu ouvidinho, sem sorrir. Pessoas assim, mais do que assustar, impressionam com sua irrealidade.
Só hoje que entendo e aceito. que elas existem sim, elas existem pra caralho. E o orkut foi a maior dica que já tive nessa direção até agora, ah, as coisas que vejo, as coisas que vejo. Found Photos talvez até mais do que o orkut, só que mais otimista. Esse mundo roda arrastado, meu deus, com tanta beleza desnecessária.

Saturday, November 05, 2005

There's a fish in the percolator
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olhando moroso pro que acontece dentro da minha cabeça, (e nem sou rigoroso) não é muito fácil entender porque que a minha mente insiste em acordar. os cantos legais do meu cérebro, os arredios e deformados, devem se entediar tanto, tadinhos. incompreendidos e isolados dos outros, apanhando dos fortões e vomitando no vestido das garotas. devem ser eles os responsáveis por essa minha curiosidade tão dispersa e arbitrária, inexplicável. que me cutuca com vontades de revirar apartamentos de alheios e desinteressantes, de todo mundo. de conhecer cada canto mal arejado do mundo só para me contentar que não, não estou perdendo nada. e poder assentar e dormir.
é ridículo, de madrugada tudo me instiga. me vem curiosidades absurdas, dispersas, como disse. não é de algo objetivo, é de tudo. das pessoas mais desinteressantes, de conhecer algum velho carioca, ou revirar o apartamento de algum desconhecido. e isso não é sexual, não, gente chata, mas queria um além-vida com free-look mode.

Tuesday, October 25, 2005

I may be paranoid, but am I paranoid enough?
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Eu não penso muito, só quando não consigo dormir e a minha cabeça não me dá outra escolha senão percorrer os seus campos infecundos, cavucar com os pés desanimados a areia fina que acaba tão cedo em concreto e ouvir o vento desesperançoso até o sono chegar. É mais divertido do que parece, a minha cabeça é um lugar engraçado. Patético, mas engraçado.
Ontem estava nessa quando senti algum intruso debaixo do travesseiro. Meus dedos entregaram sua identidade facilmente, depois de tantos anos manuseando peças similares: era uma pecinha de lego, três por dois, um coiso de altura, vermelhinha. A peça mais genérica (e portanto simbólica) possível.
Não vejo peças de lego naquela casa há anos, acho que o universo está querendo me dizer alguma coisa. Ou isso ou ele não quer que eu durma.

Monday, October 17, 2005

Apenas esperando pela incontestável aprovação de Deus


Thursday, October 13, 2005

Entre livros, fico na rede coçando o queixo, perscrutando as arestas minhas que me incomodam, as partes que se esfarelam se passar o dedo. Decido que me falta coragem, não apenas, mas principalmente. Satisfeito com uma conclusão importante e corajosa dessas, me espreguiço e vou procurar um chocolate.
É sempre melhor situar um escrutínio pessoal para a tarde, o mormaço permite chegar nos cantos mais arredios, não há orgulho que não se amoleça. Mas tomar decisões é outra história, para isso existem as madrugadas, horas solenes.
Mas oh, minha vontade é pular umas etapas de esforço e chegar direto na parte onde percebo que tal coisa Esteve Dentro De Mim Todo Esse Tempo. Na verdade a poção era só água, yeah.

Friday, October 07, 2005


onde o autor olha para críticos hipotéticos futuros com desdém
e declara a superioridade inegável da sua recém-nascida bitácora usando como prova a presença e o endorso de esquilos boxeadores
(sendo o título já uma evidente proteção auto-consciente de uma natureza de críticas)

Thursday, October 06, 2005

de vez em quando sinto algo engraçado com as Grandes Obras, aquelas que merecem edições bonitas e devidamente anotadas, Tesouros da Literatura Universal. nunca me parece algo natural, humano, a elaboração de coisas desse calibre. frases tão certinhas e infalíveis, tão acima do esforço humano que tenho acesso na minha humilde cacholinha, que não consigo imaginar a confecção delas*. passa bem acima da minha cabeça, simplesmente. pelo que sei, elas sempre estiveram ali, escritas, compostas, limpando poeira dos ombros e justificando o comportamento humano com sua existência. por isso, quando há um daqueles momentos prodigiosos de a-ha, quando se percebe um detalhe qualquer que não está tão claro, não admiro o autor, é como se percebesse uma lógica externa à ação dele, algo tão uou que não quero admitir que foi bolada por um ser humano, aquilo foi gerado espontaneamente dentro do livro, é claro, os personagens são culpados, evidentemente, ou então eu que percebi algo que não estava lá antes. de qualquer forma, é divertido.

hm, essa não é a forma correta de se começar um blog.
enfim, olá.

*mais comum com poesia do que com romances, porque todo romance tem trechinhos e que-tais que não são lá essas coisas, podem ser bem construídos, e tal, mas revelam as cordinhas por trás das coisas. elas podem não se embaralhar, mas aparecem. tá, é necessário pro desenvolvimento disso e daquilo, mas não dançam break com sua alma, não tomam chá e biscoitos com seu espírito**

**o que quer que isso signifique